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Por que o caro bacalhau manda na Sexta-Feira Santa brasileira
Rio de Janeiro/RJ – Muito antes de figurar nos encartes de supermercado, o bacalhau já era a saída prática e simbólica para os católicos que evitam carne vermelha na Sexta-Feira Santa. Mesmo custando mais que alguns cortes bovinos, o peixe salgado continua imbatível à mesa — herança direta da colonização portuguesa e da falta de geladeiras no século XIX.
- Em resumo: Peixe salgado dura sem refrigeração e virou solução religiosa e logística para o jejum católico.
Da penitência medieval ao prato nobre
A abstinência de carne existe desde os primeiros séculos do cristianismo, mas ganhou regras claras na Idade Média, quando São Tomás de Aquino classificou a carne vermelha como alimento “prazeroso” demais para dias de jejum. Já o peixe, associado aos discípulos de Jesus e ao acrônimo grego ichthys, permaneceu liberado.
Quando a corte portuguesa aportou no Rio em 1808, trouxe consigo toneladas de gadus morhua já salgadas e secas — produto que atravessava o Atlântico sem estragar. Segundo levantamentos do IBGE, o consumo de pescado ainda é de 10,2 kg por pessoa ao ano no Brasil, abaixo dos 12 kg recomendados pela FAO, mas dispara na Semana Santa.
“Não há nenhuma prescrição da Igreja sobre o uso do bacalhau”, frisa a vaticanista Mirticeli Medeiros.
Praticidade, sal e mercado: a tríade que perpetuou o hábito
Sem eletricidade até o início do século XX, famílias brasileiras recorriam ao bacalhau porque o sal agia como conservante natural. Já os açougues precisavam vender carne fresca rapidamente, tornando-a inviável para quarenta dias de quaresma em pleno verão tropical.

Com o tempo, a lógica de sacrifício deu lugar ao status gastronômico: hoje, quilos podem ultrapassar R$ 100, e pratos como bacalhau à Brás viraram sinônimo de reunião familiar. Especialistas lembram, porém, que o jejum só faz sentido quando acompanhado de caridade, ponto que o padre Eugênio Ferreira de Lima classifica como “voz isolada” em tempos de inflação.
E você? Continua fiel ao bacalhau ou acha que o preço afastou o sentido do jejum? Para mais histórias sobre costumes e gastronomia religiosa, visite nossa editoria de cultura pop.
Crédito da imagem: Divulgação / Getty Images
