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terça-feira, março 17, 2026

Por ser advogado, vereador alvo da PF troca cela por casa

Por ser advogado, vereador alvo da PF troca cela por casa

Fortaleza/CE – Três dias após ser detido na “Operação Traditori”, o vereador José Gomes da Silva Júnior, o Júnior do Dedé (PSB), obteve do TRE-CE o direito de cumprir prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica. A decisão se baseou na prerrogativa de que, por ter inscrição ativa na OAB, ele deveria ficar em Sala de Estado-Maior – inexistente no sistema prisional cearense.

  • Em resumo: Advogado, o parlamentar alegou constrangimento ilegal e trocou a Delegacia de Capturas pela própria residência.

Por que a PF mira vereadores de Morada Nova

A Polícia Federal cumpriu 16 mandados de prisão preventiva na última quinta-feira (12) ao investigar o suposto repasse de recursos da facção Guardiões do Estado (GDE) para campanhas municipais de 2024. Segundo a corporação, o grupo usava um “complexo esquema” de lavagem de dinheiro para infiltrar o crime organizado na política local. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que, somente em 2025, ao menos R$ 1,2 bilhão foi movimentado por organizações criminosas em fraudes financeiras no país.

Além de Júnior do Dedé, outros quatro vereadores – Hilmar Sérgio, Gleide Rabelo, Cláudio Maroca e José Regis – foram afastados dos cargos e seguem presos preventivamente. Eles não são investigados por tráfico de drogas, mas podem responder por lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes eleitorais.

“Manter o custodiado em cela comum viola prerrogativa profissional e caracteriza constrangimento ilegal”, registrou o desembargador relator ao conceder o habeas corpus.

Consequências eleitorais e risco de anulação de mandatos

O sequestro de bens determinado pela Justiça Eleitoral busca estancar o fluxo financeiro da GDE. Caso fique provado o uso de dinheiro ilícito em campanhas, a lei 9.504/97 prevê cassação de mandatos e inelegibilidade por até oito anos. Em 2024, o TSE já anulou 47 candidaturas por irregularidades semelhantes em todo o Brasil.

Para especialistas, o episódio reforça o debate sobre financiamento público exclusivo e transparência em doações. No Ceará, a Secretaria de Segurança contabiliza aumento de 18% em ocorrências ligadas a facções após o último pleito municipal.

O que você acha? A prisão domiciliar justificada por prerrogativa profissional é justa ou privilegia políticos? Dê sua opinião e, para acompanhar outros casos de investigação criminal, visite nossa editoria de Segurança.


Crédito da imagem: Divulgação / Polícia Federal

Vinicius Balbino
Vinicius Balbinohttps://c4noticias.com.br
Sou jornalista independente, dedicado a produzir informações claras, precisas e relevantes, sempre com olhar crítico e compromisso profissional com a verdade.
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