Porsche corta R$ 660 mil do 911 Turbo S após fim de imposto
BUENOS AIRES/ARGENTINA – A isenção do chamado “imposto do luxo” sobre veículos de alto valor, aprovada no Senado argentino, provocou um corte imediato de US$ 128 mil (cerca de R$ 660 mil) no preço do Porsche 911 Turbo S e abriu uma corrida por descontos no segmento premium.
- Em resumo: Porsche, Audi, Ford e outras montadoras reduziram valores em até 22% antes mesmo da nova alíquota zerada entrar em vigor em 1º de abril.
Entenda o corte tributário
O imposto interno, criado em 2013 para conter a fuga de dólares, adicionava 18% sobre veículos acima de 79 milhões de pesos — na prática, 21,95% após tributos acumulados. Com a extinção dessa cobrança, um 911 Turbo S passou de US$ 388 mil para US$ 260 mil.
Especialistas apontam que a medida se tornou viável porque a diferença entre o câmbio oficial e o paralelo diminuiu. Segundo o tributarista Sebastián M. Domínguez, “a taxa podia chegar a 50% quando o governo recorria à política cambial, mas hoje o risco de drenar reservas é menor”.
“A ideia é que o corte estimule vendas e compense a perda de arrecadação com maior atividade econômica”, analisa Domínguez.
Efeito dominó no mercado
A Audi já tirou US$ 37 mil do RS Q8, enquanto o Mustang GT caiu de US$ 90 mil para US$ 65 mil. Modelos da Toyota, Lexus e Mercedes seguem a tendência, com abatimentos médios de 15%.
A Associação de Fabricantes (Adefa) comemorou, afirmando que o fim do imposto “corrige distorções históricas” e devolve previsibilidade às montadoras. Para o Brasil, a notícia pode significar retomada da demanda: desde 2025, a queda nas compras argentinas impacta 30% da produção nacional, de acordo com dados do Anfavea.

Além de pressionar a tabela de zero-quilômetro, revendedores de seminovos argentinos já projetam desvalorização imediata dos usados de luxo, fenômeno que tende a se espalhar para fronteiras comerciais, inclusive a região Sul do Brasil.
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Crédito da imagem: Divulgação / Porsche
