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sexta-feira, março 13, 2026

Quase 50% das mulheres emperram na 1ª promoção a chefia

Quase 50% das mulheres emperram na 1ª promoção a chefia

São Paulo – Um estudo nacional da plataforma InfoJobs revela que 49% das mulheres veem a carreira estagnar já na passagem de funções técnicas para cargos de gestão, etapa-chave para chegar às chefias superiores e que, quando falha, compromete todo o funil de liderança.

  • Em resumo: o “degrau quebrado” aparece antes do teto de vidro e derruba a presença feminina nos níveis seguintes.

Por que o “degrau quebrado” persiste?

Segundo a Pesquisa Panorama da Mulher no Mercado de Trabalho 2026, feita com 1.022 profissionais, apenas 8% das entrevistadas ocupam cargos de coordenação ou diretoria. Para Hosana Azevedo, gerente de RH do grupo Redarbor, o bloqueio não tem relação com qualificação: dados do IBGE apontam que elas já estudam mais do que eles. O problema está em fatores intangíveis como visibilidade, redes internas e patrocínio de líderes – elementos historicamente masculinos.

Além disso, 31% das respondentes disseram receber projetos estratégicos sob cobrança maior, enquanto 23% percebem que tarefas de alto impacto ainda são direcionadas preferencialmente a homens. Sem essa “vitrine”, as profissionais perdem exposição justamente quando a performance deixa de ser apenas técnica e passa a exigir percepção de potencial de liderança.

“Promoções dependem menos da entrega individual e mais de confiança e networking interno – espaços em que as trajetórias masculinas ainda levam vantagem”, ressalta Hosana Azevedo.

Consequências para empresas e economia

O efeito cascata é visível: se quase metade das mulheres para na primeira barreira, menos talentos femininos alimentam os níveis de média gerência, e a representatividade no topo cai para 3%. Na prática, as companhias desperdiçam mão de obra qualificada justamente quando, de acordo com relatórios da Organização Internacional do Trabalho, equipes diversas entregam até 20% mais inovação.

A lacuna se agrava em áreas historicamente masculinas, como tecnologia e engenharia, e atinge em cheio grupos minorizados. Para 62% das entrevistadas, oportunidades até existem para mulheres pretas, PCDs e LGBTQIA+, mas de forma desigual. O risco para as empresas vai além da reputação: pesquisas globais ligam falta de diversidade a queda de engajamento e maior rotatividade, custos que pressionam margens em tempos de produtividade recorde.

Especialistas defendem ações objetivas: critérios transparentes de promoção, metas de diversidade atreladas a bônus de executivos e programas de mentoria. Sem isso, o “degrau quebrado” continuará fazendo a carreira feminina tropeçar antes mesmo de tocar o tão citado teto de vidro.

O que você acha? Sua empresa já mapeou esse primeiro obstáculo na promoção de mulheres? Para mais análises sobre mercado de trabalho, acesse nossa editoria de Empregos.


Crédito da imagem: Divulgação

Marta Silva
Marta Silva
Atuo como jornalista independente, desenvolvendo conteúdos informativos com olhar crítico e apuração responsável. Meu trabalho é guiado pela busca por fatos relevantes, contexto claro e informação confiável para o leitor.
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