PARIS – A Agência Internacional de Energia (AIE) alerta que o consumo mundial de petróleo deve recuar pela primeira vez em anos, passando de 104,34 milhões de barris por dia em 2025 para 104,26 milhões em 2026, reflexo do maior choque de oferta já registrado.
- Em resumo: retração de 80 mil barris/dia sinaliza pressão prolongada nos preços e possível nova onda inflacionária.
Por que a “torneira” do petróleo está fechando?
Bombardeios a infraestruturas no Golfo e o bloqueio parcial do Estreito de Ormuz cortaram 10,1 milhões de barris diários da oferta em março, segundo a AIE. O aperto lembra crises históricas, como o embargo de 1973, quando os preços quadruplicaram em poucos meses, segundo relatório da IEA.
A escassez atinge primeiro o Oriente Médio e a Ásia-Pacífico, onde querosene de aviação e GLP já ficam mais caros. Se o gargalo logístico persistir, refinarias terão dificuldade em recompor estoques estratégicos antes do inverno no hemisfério Norte.
“A demanda mundial de petróleo deve recuar 80.000 barris por dia, em média, em 2026”, projeta a AIE, após rever previsão que antes indicava alta de 730 mil barris diários.
Impacto no seu bolso e na geopolítica
No curto prazo, a volatilidade pode elevar o custo dos combustíveis no Brasil, que importa cerca de 30% do diesel consumido internamente. O Banco Central calcula que cada alta de 10% no barril adiciona até 0,25 ponto porcentual à inflação anual.

Enquanto isso, a Rússia dobrou sua receita com exportações, saltando de US$ 9,7 bilhões em fevereiro para US$ 19 bilhões em março. O movimento reforça a importância de rotas alternativas e acelera a transição para fontes renováveis – que já respondem por 29% da matriz elétrica mundial, ante 20% há uma década, de acordo com a IEA.
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