Quixadá: Médico é preso por trocar notas por favores sexuais
Quixadá/CE – Na última quinta-feira (29), o médico e ex-professor Yuri Silva Portela foi detido preventivamente por suspeita de assédio sexual e violência psicológica contra uma ex-aluna, em operação batizada de “Bisturi Acadêmico”. O Ministério Público afirma que ele usava a posição na faculdade para exigir intimidade em troca de vantagens acadêmicas.
- Em resumo: Promotoria diz que docente oferecia acesso a provas e pontuação extra por relações sexuais.
Como funcionava o suposto esquema acadêmico
De acordo com a 1ª Promotoria de Justiça de Quixadá, há indícios de que o investigado mostrava avaliações antes da aplicação e prometia pontos adicionais em trabalhos para convencer a estudante. O juízo da 1ª Vara Criminal considerou o padrão de abordagens suficiente para decretar a prisão preventiva.
Casos de assédio em instituições de ensino não são isolados: o Fórum Brasileiro de Segurança Pública registrou mais de 19 mil denúncias de crimes sexuais em ambientes de trabalho e estudo em 2023.
“A medida é necessária para resguardar a ordem pública e impedir novas intimidações”, destacou o promotor de Justiça Bruno Barreto.
Defesa fala em exagero e cita falta de violência física
Os advogados Júnior Pinheiro e Bruno Queiroz classificam a prisão como “desnecessária e desproporcional”. Segundo a nota, as conversas juntadas ao processo teriam sido analisadas “de forma descontextualizada” e não haveria prova de ameaça ou coação física.
O Código Penal tipifica o assédio sexual (art. 216-A) com pena de 1 a 2 anos de detenção, aumentada se a vítima for menor de 18 anos. Especialistas explicam que, quando o acusado ocupa cargo hierárquico superior – como professor – o entendimento dos tribunais costuma agravar a reprovação, mesmo sem violência física.

Impacto na comunidade acadêmica e próximos passos
A investigação segue sob sigilo, mas o MP pede que possíveis vítimas procurem a Promotoria na Av. Jesus Maria José, 31, no bairro Jardim dos Monólitos. Enquanto isso, a faculdade onde Portela lecionava avalia abrir processo administrativo.
Para analistas, o caso acende alerta sobre o protocolo de prevenção a assédio em centros universitários. Práticas como canais de denúncia anônima e treinamentos obrigatórios de ética têm sido adotadas por instituições federais desde 2022.
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Crédito da imagem: Divulgação
