Capela do Alto (SP) – Em meio a cerca de mil hectares tomados por fileiras verdes, o município converte 15 mil toneladas de milho em nada menos que R$ 13 milhões por ano, número que mantém viva a alcunha de “capital do milho” e sustenta dezenas de famílias.
- Em resumo: 70 produtores abastecem a região de Sorocaba e fazem da Festa do Milho Verde sua vitrine de renda extra.
Do plantio à mesa: cadeia que não para
Na fazenda de Valdir Marcos Leonor, o processo começa antes mesmo da colheita terminar. A triagem manual reúne pais, filhos e netos, garantindo que apenas as espigas perfeitas sigam para os mercados de Sorocaba. Segundo o IBGE, o Brasil colheu 131,9 milhões de toneladas de milho em 2025, mas é no cuidado artesanal que pequenas cidades como Capela do Alto diferenciam o produto.
Pelos números locais, cada hectare rende, em média, 15 toneladas — produtividade comparável ao que grandes estados do Centro-Oeste apresentam em lavouras mecanizadas.
“Apenas as espigas consideradas ideais seguem para comercialização.”
Mais que comida: patrimônio cultural e receita
Há quase quatro décadas, a Festa do Milho Verde arrasta milhares de visitantes para provar de pamonha com leite condensado a bolos artesanais criados pela empresária Ana Paula Santos. Para produtores como Sandriele Karine Simões, o evento representa um reforço decisivo no caixa anual, já que as vendas dobram durante o período festivo.
Além do apelo gastronômico, o milho exerce um papel estratégico na economia rural paulista: o grão representa 18 % do Valor Bruto da Produção agrícola do estado, indicador monitorado pela Secretaria de Agricultura. Em tempos de oscilação de preços, itens derivados — curau, sopa, pão de milho — funcionam como hedge natural, ampliando a margem de lucro do pequeno agricultor.
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