R$ 20 bi em jogo: multinacionais dominam o café no Brasil
SÃO PAULO – Maior produtor global do grão, o Brasil vê as marcas mais lembradas pelo consumidor ficarem sob controle de estrangeiros, fenômeno que já movimenta perto de R$ 20 bilhões por ano e redefine o poder nas gôndolas.
- Em resumo: Quatro grupos estrangeiros concentram 55,6% do mercado brasileiro de café, apesar de o grão ser 100% nacional.
Como estrangeiros ganharam espaço nas gôndolas
A disseminação dos grandes supermercados nos anos 1990 abriu caminho para aquisições agressivas. Nestlé, Melitta, JDE Peet’s e o grupo 3 Corações compraram marcas regionais e, com escala, dominaram prateleiras de Norte a Sul, revelam dados do IBGE.
A holandesa JDE, por exemplo, desembarcou em 1998 e engoliu nomes como Pilão e Café do Ponto, enquanto a israelense Strauss formou, em 2005, a joint-venture 3 Corações com a cearense São Miguel Holding.
“Elas são atraídas pelo grande faturamento interno, pelas vendas e pela facilidade de matéria-prima à disposição”, resume Celírio Inácio, diretor-executivo da Abic.
O que muda para o produtor e para o consumidor
Segundo a Abic, 22 milhões de sacas ficam no mercado interno. Com fábricas locais, as multinacionais compram direto de cooperativas, pressionando por padronização e qualidade constante.
Para o consumidor, o impacto é preço estável, mas também a sensação de que “o café bom vai todo para fora”. Não é verdade: todo o torrado e moído vendido aqui é brasileiro. Já o ticket médio da bebida subiu 42% na última década, impulsionado por cápsulas e cafés especiais.

Em paralelo, o consumo per capita atingiu 6,2 kg em 2025, deixando o Brasil atrás apenas dos EUA. O Ministério da Agricultura projeta alta adicional de 3% ao ano até 2030, puxada pelo segmento premium.
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