WASHINGTON – A declaração patrimonial de mais de US$ 100 milhões (cerca de R$ 500 milhões) entregue por Kevin Warsh, escolhido de Donald Trump para presidir o Federal Reserve, colocou a confirmação dele sob forte suspeita e pode empurrar a troca de comando do banco central norte-americano para além de 15 de maio.
- Em resumo: lacunas em investimentos sigilosos levaram senadores a pedir o adiamento da sabatina marcada para 21/4.
Por que US$ 100 milhões viraram problema
O dossiê de 69 páginas lista dois aportes acima de US$ 50 milhões no Juggernaut Fund LP e outros US$ 10,2 milhões em consultorias ao megainvestidor Stanley Druckenmiller. Parte dos ativos, porém, aparece sem detalhamento por acordos de confidencialidade — exatamente o ponto que irritou democratas e parte dos republicanos. A senadora Elizabeth Warren defende que a audiência só ocorra quando todas as posições forem reveladas, citando regras de ética endurecidas em 2022.
No Brasil, diretores do Banco Central precisam apresentar declaração completa de bens e se desfazer de participações que gerem conflito, conforme o manual de conduta da autoridade monetária. A comparação serve de munição para quem cobra transparência total de Warsh.
“O objetivo da divulgação é entender essas relações e verificar se foram desfeitas”, alertou Warren, lembrando escândalos recentes dentro do próprio Fed.
Risco de conflito e cronograma apertado
Além das apostas em tecnologia, IA e cripto, o documento menciona ativos vinculados à esposa, Jane Lauder, herdeira da Estée Lauder, cujo patrimônio estimado passa de US$ 1,9 bilhão. Analistas dizem que a complexidade da carteira dificulta a checagem em tempo hábil: levantamento do Congressional Research Service aponta que nomeações para o Fed levam, em média, 67 dias para serem votadas.

Enquanto o senador republicano Thom Tillis condiciona o aval ao fim de investigação sobre Jerome Powell, democratas do Comitê Bancário pedem pausa geral nas indicações do Fed. Se o impasse persistir, Powell poderá permanecer interinamente e continuar no conselho até 2028.
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