R$150 mil por árbitro importado? Clássico-Rei reacende polêmica
Fortaleza, CE – Na próxima quarta-feira, 8 de fevereiro, Ceará e Fortaleza voltam a abrir os portões da Arena Castelão para o 1º Clássico-Rei de 2026, válido pela última rodada da 2ª fase do Campeonato Cearense. Os dois clubes, porém, têm poucas horas – até esta terça, 3 – para decidir se pagarão mais de R$ 150 mil a uma equipe de arbitragem de outro estado ou se confiarão no quadro local, custo que cairia para menos da metade.
- Em resumo: Importar árbitros pode multiplicar a despesa em até cinco vezes e dividir opiniões entre direção, torcedores e Federação.
Por que a conta fica tão alta?
A principal fatia do valor prevê passagens aéreas, diárias de hotel em padrão quatro estrelas e taxas de federação para o trio ou quarteto de fora. Segundo tabela da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), apenas a taxa de árbitro FIFA ultrapassa R$ 15 mil. Quando somados os auxílios, o montante bate R$ 150 mil – dinheiro suficiente para cobrir quase 70 salários médios formais no Ceará, hoje em R$ 2.154, de acordo com dados do IBGE.
Para o torcedor, a consequência direta costuma aparecer no preço do ingresso: cada R$ 10 acrescidos no ticket representa, em média, R$ 1 milhão extra de receita se o Castelão lotar.
“Não há motivo para Ceará e Fortaleza pagarem mais de R$ 150 mil para uma arbitragem de fora comandar o Clássico-Rei”, afirma o texto que circula entre conselheiros dos dois clubes.
Regulamento, confiança e pressão da arquibancada
O artigo 32 do regulamento do Estadual libera a solicitação de árbitro externo desde que ambos os clubes concordem e arquem com as despesas. Na prática, a decisão costuma refletir não apenas a confiança no quadro local, mas a tentativa de blindar o clássico de polêmicas que possam comprometer campanhas em competições nacionais.

Nos últimos dois anos, a Federação Cearense de Futebol escalou árbitros cearenses em 70% dos clássicos sem registro de erro grave. Ainda assim, a lembrança de lances controversos em 2018 e 2021 alimenta a pressão das diretorias por “nome neutro”.
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