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sexta-feira, março 27, 2026

“R$1,6 mil por 11 iPhones”: esquema de furtos no Lollapalooza exposto

“R$1,6 mil por 11 iPhones”: esquema de furtos no Lollapalooza exposto

São Paulo/SP – Entre luzes de palco e lama, quadrilhas de até dez integrantes transformaram o Lollapalooza no “ponto de venda” perfeito: em poucos minutos, jovens disfarçados de fãs faturam mais que o preço do ingresso de R$ 1.659,44, escondendo até 11 celulares nos bolsos e roupas íntimas.

  • Em resumo: Criminosos pagam para entrar, furtam iPhones de até R$ 11,5 mil e revendem no centro de SP ou exportam.

Como o golpe acontece em 15 minutos

Mapeados pela Polícia Civil, três grupos especializados mesclam looks cor-de-rosa, calças largas e leques para se camuflar na multidão. A destreza é tanta que as vítimas só percebem o furto quando o show termina, explica o delegado Luiz Alberto Guerra, do Dope.

Mulheres são a “mão leve” da operação: aproximam-se sem provocar repulsa, retiram o aparelho e, em segundos, repassam a comparsas homens. Numa única sexta-feira (20), uma jovem de cerca de 20 anos foi flagrada com 11 celulares e uma câmera digital.

“Eles unem diversão e ‘trabalho’: entram como fãs e saem com lucro altíssimo, sem usar violência”, resume o delegado Guerra.

Por que é tão difícil flagrar – e o que acontece depois

O empurra-empurra, o sinal fraco e a pressa entre palcos dificultam o flagrante. Das 11 ocorrências registradas no posto da Deatur neste Lolla 2026, metade só veio à tona porque uma vítima rastreou o aparelho. Quem prefere não sair do festival costuma registrar online, atrasando a recuperação dos dispositivos.

Segundo levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil ultrapassa 1 milhão de furtos e roubos de celulares por ano, e boa parte desses aparelhos some no chamado “mercado cinza”: desmontados para peças ou enviados ao exterior, onde o bloqueio da Anatel não tem efeito.

Os seis detidos no Lollapalooza e no show de Luan Santana (com público de 50 mil) tiveram prisão em flagrante convertida em preventiva. A pena por furto pode chegar a quatro anos, com acréscimo de três por associação criminosa.

O que você acha? Festivais deveriam adotar revistas mais rígidas ou tecnologias de rastreamento? Para outras notícias de segurança pública, visite nossa editoria.


Crédito da imagem: Divulgação / Polícia Civil

Ana Catarina
Ana Catarina
Sou jornalista independente, dedicada à apuração rigorosa e à produção de conteúdos informativos de qualidade. Busco levar notícias relevantes com linguagem clara, responsabilidade e compromisso com a verdade.
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