BRASÍLIA – Ao comentar, neste sábado (18), a cobrança sobre compras internacionais de até US$ 50, apelidada de “taxa das blusinhas”, o vice-presidente Geraldo Alckmin reiterou que não defende nem o fim nem a manutenção do imposto e assegurou que apoiará a escolha final do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
- Em resumo: Alckmin sustenta neutralidade e coloca R$ 425 milhões de arrecadação no centro da decisão de Lula.
O que está em debate
Desde agosto de 2025, a alíquota de 20% passou a incidir sobre encomendas estrangeiras de baixo valor, impactando gigantes do e-commerce asiático e consumidores em busca de preços menores. Segundo a Receita Federal, a medida acrescentou R$ 425 milhões aos cofres públicos apenas em janeiro deste ano, salto de 25% sobre igual período de 2024.
Empresários de 67 associações defendem a continuidade da cobrança para conter o que chamam de “invasão chinesa” e preservar empregos na cadeia têxtil nacional. Já integrantes do governo, como o novo ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, veem espaço para eliminar o imposto e aliviar o bolso do consumidor.
“Não me coloquei contra a medida, nem a favor. Apenas deixei claro que a decisão deve ser tomada com calma e levando em conta diversos fatores, como, por exemplo, a indústria”, afirmou Alckmin.
Por que isso importa
O comércio eletrônico transfronteiriço movimentou US$ 1,6 bilhão no Brasil em 2025, de acordo com estimativa da Câmara E-net, e responde por 7% de todas as compras on-line do país. Uma eventual revogação da taxa alteraria o preço final de milhões de pacotes, podendo pressionar a produção nacional e mexer na meta fiscal de 2026, que prevê superávit primário de 0,5% do PIB.
Especialistas lembram que, mesmo com a tarifa, a soma de tributos pagos por fabricantes locais (ICMS, IPI, PIS/Cofins) ainda supera a carga sobre produtos importados. Por isso, a Confederação Nacional da Indústria argumenta que a isenção integral geraria concorrência desleal e afetaria 1,5 milhão de empregos formais no setor têxtil.
O que você acha? O imposto deve ser mantido para proteger a indústria ou revogado para baratear as compras on-line? Para acompanhar outras discussões econômicas, acesse nossa editoria de Finanças.
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