Rainha junina surda e imersão indígena sacodem Dragão do Mar
Fortaleza/CE – A primeira semana de abril no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura chega com uma programação que põe em cena corpos, vozes e memórias pouco representados: de uma rainha junina surda à ancestralidade indígena traduzida em literatura e música. A maratona multicultural terá transmissão da Band às 9h30 (horário de Brasília) e integra a retomada presencial de eventos que dialogam com acessibilidade e diversidade.
- Em resumo: De terça (31) a domingo (05), mais de dez atrações combinam literatura feminina, performances sensoriais e humor LGBTQIAP+.
Por que a programação chama atenção?
O ponto alto é o solo “A Rainha”, em que Mara Alexandre revive sua trajetória como primeira rainha junina surda do Brasil, questionando padrões estéticos e sonoros. Segundo pesquisa do Ministério da Educação, apenas 1,1% dos espetáculos nacionais oferecem tradução em Libras, o que torna a montagem um marco de inclusão.
A literatura assume protagonismo no encontro “Yuxin – Duas irmãs: 500 anos de conversa”. A escritora Ana Miranda lê trechos de seu romance ambientado na Amazônia, enquanto a irmã, a musicista Marlui Miranda, traduz o enredo em cantos indígenas, criando uma experiência híbrida que reforça a urgência de preservar culturas originárias.
“Evocamos a floresta como quem acende um farol de resistência”, destaca Ana Miranda sobre a palavra “Yuxin”, que significa “alma” em nheengatu.
Memória, humor e experiências imersivas
Na quarta (01), Georgia Vitrilis encena “Drama Cuspido e Escarrado”, obra que confronta a ideia do que é considerado belo ao narrar a ascensão de corpos travestis. Já na quinta e no domingo, a performance-instalação “Ebó de Sentires” convida o público a percursos sensoriais que misturam rito, som e cheiros, lembrando que 72% dos visitantes do Dragão do Mar buscam atividades interativas, conforme dados internos do IDM.

Para quem prefere leveza, o humorista Denis Lacerda estreia “INTACTA”, show que costura causos familiares, arte drag e críticas à intolerância religiosa. Crianças também têm vez: oficinas de pintura e o circuito “Brincando e Pintando” estimulam criatividade, enquanto o Planetário Rubens de Azevedo aposta em sessões acessíveis com audiodescrição e Libras.
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Crédito da imagem: Divulgação / Felipe Abud
