Rigidez incapacitante: síndrome rara tira Céline Dion dos palcos
Montreal, Canadá – Diagnosticada em 2022 com a síndrome da pessoa rígida, Céline Dion revelou que a doença neurológica autoimune chegou a comprometer sua voz e movimentos, forçando o cancelamento de turnês inteiras e acendendo o alerta para um quadro que pode até impedir o paciente de andar.
- Em resumo: distúrbio ataca o sistema nervoso, causa espasmos dolorosos e ainda não tem cura.
Entenda por que a síndrome é tão rara e perigosa
A síndrome da pessoa rígida afeta cerca de um a dois indivíduos em cada milhão, segundo o Instituto Nacional de Saúde dos EUA (NIH). O organismo produz anticorpos contra o próprio neurotransmissor GABA, responsável por “relaxar” a musculatura.
Sem esse freio químico, tronco, braços e pernas entram em contração constante – quadro que se agrava com estresse, ruídos altos ou mudanças bruscas de temperatura.
“Os espasmos podem ser tão intensos que o paciente chega a fraturar costelas”, alerta o neurologista Alex Baeta, da Beneficência Portuguesa de São Paulo.
Tratamento controla sintomas, mas exige disciplina
Não há cura, porém terapias combinadas – de relaxantes como diazepam a imunoglobulina intravenosa – reduzem a rigidez e devolvem mobilidade. Recém-incorporados ao protocolo, anticorpos monoclonais como o rituximabe mostram taxa de resposta acima de 50% em estudos clínicos.

Casos famosos, como o de Dion, expõem também o impacto psicológico. Pesquisa da revista Neurology indica que mais de 60% dos pacientes desenvolvem ansiedade por medo de quedas súbitas. Fisioterapia, acompanhamento fonoaudiológico e suporte emocional tornam-se, portanto, parte fundamental do cuidado.
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Crédito da imagem: Divulgação / Evan Agostini – Invision/AP
