Rússia ameaça reagir a mísseis do Japão em Yonaguni
Rússia ameaça reagir a mísseis do Japão em Yonaguni – O Ministério das Relações Exteriores russo advertiu que “responderá com firmeza” à iniciativa de Tóquio de posicionar mísseis de médio alcance na ilha de Yonaguni, situada a cerca de 110 km da costa de Taiwan.
A declaração, divulgada na última quinta-feira (27), eleva a tensão militar no Pacífico apenas duas semanas depois de Pequim ter criticado a mesma proposta do governo japonês.
O que prevê o plano de defesa japonês
O Ministério da Defesa do Japão pretende instalar baterias antinavio e antiaéreas em Yonaguni como parte da Estratégia de Segurança Nacional anunciada em dezembro de 2022. A ilha é o ponto mais ocidental do arquipélago, com menos de 2 mil habitantes, e vem recebendo reforços militares desde 2016.
O projeto faz parte do pacote de modernização que elevará o orçamento bélico japonês a 2% do PIB até 2027, alinhando o país aos padrões da Otan, segundo estimativas do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS).
Reação russa e impacto regional
Moscou classificou o plano como “ameaça direta” à segurança nacional, alegando que a base poderia abrigar armamentos norte-americanos. Em nota oficial, o Kremlin reforçou que qualquer deslocamento de mísseis de alcance médio na região “não ficará sem retaliação”. A postura ecoa a preocupação já expressa pela China, que considera a instalação um risco à estabilidade do Estreito de Taiwan segundo a agência Reuters.
Especialistas apontam que a movimentação russa sinaliza um estreitamento de cooperação militar entre Moscou e Pequim. Dados do Instituto de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI) indicam que, desde 2014, mais de 70% dos exercícios navais conjuntos russo-chineses ocorreram justamente nas proximidades do Japão.

Além disso, relatórios do Ministério da Defesa nipônico mostram que o número de interceptações de aeronaves chinesas e russas na Zona de Identificação de Defesa Aérea do Japão dobrou nos últimos cinco anos, reforçando o clima de insegurança na região.
No cenário diplomático, Tóquio assegura que a iniciativa é defensiva e respeita o artigo 9º da Constituição pacifista, mas adverte que ampliará sua capacidade de dissuasão “contra qualquer ameaça emergente”.
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Crédito da imagem: Divulgação / Ministério da Defesa da Rússia
