‘Se morrer, morre magro’: influencer cearense lucra com caneta proibida
FORTALEZA/CE – A venda clandestina de canetas emagrecedoras ganhou força nas redes sociais cearenses e já levou à prisão de suspeitos, apreensão recorde de 1,8 mil ampolas e investigações por pancreatite grave, segundo a Anvisa.
- Em resumo: Influencer cobra até R$ 1,4 mil por dose e ironiza risco de morte.
Como funciona o esquema virtual
Perfis no Instagram e grupos de WhatsApp oferecem as seringas em doses fracionadas, driblando a exigência de receita e de venda exclusiva em farmácias autorizadas. Em um dos anúncios, o vendedor — com mais de 300 mil seguidores — responde a um cliente temeroso: “Se você morrer, morre magro”. A Polícia Civil do Ceará já deteve um homem de 28 anos com dez canetas, documentos falsos e 31 cartões de terceiros.
Os preços variam entre R$ 150 e R$ 1,4 mil, valor que supera em até 200% o praticado em drogarias. Além do influenciador de Horizonte, uma mulher que se apresentava como nutricionista anunciava envios para o interior — seu registro profissional está cancelado, informou o CRN.
“Esse mercado paralelo é extremamente perigoso; não sabemos o que há dentro da seringa nem como foi armazenada”, alerta a endocrinologista Ana Flávia Torquatto.
Risco sanitário e legislação
Desde 2025, canetas com semaglutida, liraglutida, tirzepatida e dulaglutida têm liberação da Anvisa para o tratamento de diabetes e obesidade, mas seguem as regras da RDC 344/1998: exigem retenção de receita e cadeia de frio de 2 °C a 8 °C. Fora desse protocolo, a substância pode perder estabilidade ou ser adulterada.

A Receita Federal destruiu cerca de 2 mil unidades apreendidas no Aeroporto de Fortaleza em 2025 e outras 1.842 somente em janeiro de 2026. Dados do Atlas da Obesidade indicam que 22% dos adultos brasileiros tentam métodos rápidos de perda de peso, um cenário que alimenta o contrabando. O uso sem supervisão médica também eleva o risco de pancreatite aguda; seis casos já são analisados pela agência reguladora.
O que você acha? A fiscalização deveria ser mais rígida ou a conscientização é o caminho? Para mais reportagens sobre segurança e saúde, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / Receita Federal
