Washington, D.C. – Em uma pregação realizada no auditório do Pentágono na última quarta-feira (15), o Secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, surpreendeu a plateia ao recitar como “palavra de Deus” o monólogo eternizado por Samuel L. Jackson em “Pulp Fiction”. A passagem, atribuída pelo filme a Ezequiel 25:17, nunca existiu na Bíblia.
- Em resumo: Hegseth citou o texto fictício, foi aplaudido e o vídeo viralizou, reacendendo o debate sobre uso político da religião.
Da tela do cinema ao púlpito militar
No discurso, o secretário afirmou que o trecho “orienta homens justos” e encorajou militares a “trilhar o caminho da retidão”. A versão verdadeira de Ezequiel 25:17 é bem mais curta e não contém as frases sobre “o pastor que guia os fracos”. Segundo a Pew Research Center, dois em cada três norte-americanos se consideram religiosos, mas apenas 29% dizem ler a Bíblia semanalmente, o que ajuda a explicar por que a citação passou despercebida no momento.
Ao perceber a repercussão, assessores de Hegseth disseram que ele “queria apenas ilustrar a luta entre bem e mal”, mas não comentaram o erro textual.
“E eu vou executar sobre eles grandes vinganças com repreensões furiosas; e saberão que Eu sou o Senhor” – versão real de Ezequiel 25:17, bem diferente da fala em “Pulp Fiction”.
Por que o equívoco acende alerta sobre religião e Estado
Especialistas em liberdade religiosa lembram que o Pentágono é sede de uma instituição estatal, onde manifestações confessionais precisam respeitar a Primeira Emenda da Constituição americana, que proíbe o governo de endossar uma fé específica. A Associação de Capelães Militares informou que investiga se houve violação de protocolo.
O caso também ressalta a dificuldade de checagem em ambientes de autoridade: estudo da Universidade de Chicago aponta que 41% dos norte-americanos já compartilharam referências bíblicas sem verificar a fonte. Para o pesquisador Mark Taylor, “quando o erro parte de um alto escalão, o impacto pedagógico é multiplicado”.
O que você acha? Erros assim fragilizam a separação entre Igreja e Estado ou são apenas deslizes retóricos? Para mais análises internacionais, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação