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domingo, março 15, 2026

Selic a 15% empurra PicPay a Wall Street no 1º IPO em 4 anos

Selic a 15% empurra PicPay a Wall Street no 1º IPO em 4 anos

São Paulo – Na próxima quinta-feira (29), o banco digital PicPay volta a sacudir o mercado financeiro ao fazer sua estreia na bolsa de Nova York, algo que não acontecia com uma companhia brasileira desde 2022. A movimentação expõe um efeito colateral dos juros em 15% ao ano: empresas nacionais estão preferindo levantar capital fora do país.

  • Em resumo: Selic nas alturas seca o apetite por renda variável e empurra PicPay – e, em breve, Agibank – a listagens nos EUA.

Por que Nova York seduz as companhias brasileiras?

O ciclo de cortes iniciado pelo Federal Reserve em 2025 reduziu as taxas americanas para 3,50%-3,75%, enquanto, aqui, o Banco Central mantém a Selic no maior nível em duas décadas. Segundo dados do Banco Central, a diferença de quase 11 pontos percentuais tornou a renda fixa doméstica tão rentável que fundos de ações encolheram dramaticamente.

Esse descompasso explica por que apenas PicPay – e, na sequência, o Agibank – testam o apetite de investidores além-fronteira, onde ficam concorrentes como Nubank e StoneCo.

“O que aconteceu no Brasil é que os juros subiram e não recuaram. Estamos falando de uma taxa real de dois dígitos, que é muito alta”, afirma Roderick Greenlees, diretor global de investment banking do Itaú BBA.

Impacto nos fundos locais e a esperança de retomada

Com a taxa básica em dois dígitos desde meados de 2022, muitos fundos multimercados e, sobretudo, de ações foram encerrados, reduzindo a liquidez na B3. O ano de 2021 registrou mais de 40 IPOs, mas desde então o volume secou: levantamento da B3 mostra que o número caiu para zero em 2024.

Para 2026, analistas projetam uma melhora moderada. O Boletim Focus indica Selic de 12,25% até dezembro, redução que pode destravar uma fila de candidatas na bolsa paulista. Ainda assim, o ambiente seguirá desafiador se não houver avanço em reformas e sinal claro de ajuste fiscal.

Historicamente, o último grande boom ocorreu em 2007, quando 64 empresas abriram capital, de acordo com a CVM. De lá para cá, apenas 23% dessas companhias permaneceram na B3, o que reforça a necessidade de juros competitivos para sustentar investidores de longo prazo.

O que você acha? A queda projetada da Selic será suficiente para trazer de volta as ofertas de ações? Para acompanhar outras análises de mercado, acesse nossa editoria de Finanças.


Crédito da imagem: Divulgação / Reuters

Marta Silva
Marta Silva
Atuo como jornalista independente, desenvolvendo conteúdos informativos com olhar crítico e apuração responsável. Meu trabalho é guiado pela busca por fatos relevantes, contexto claro e informação confiável para o leitor.
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