Sem feats, Rael cutuca indústria e aprofunda discurso no novo álbum
São Paulo/SP – Na noite de 26 de março, o rapper paulistano Rael liberou “Nas profundezas da onda”, trabalho que quebra a lógica dos lançamentos atuais ao dispensar participações e mirar diretamente nas contradições da indústria fonográfica.
- Em resumo: Álbum pop e leve, porém recheado de críticas à máquina de hits e sem nenhum feat.
Por que abrir mão de feats vira um recado direto
No streaming, colaborações elevam em até 30% a chance de uma faixa entrar em playlists editoriais, segundo levantamento da IFPI. Ao optar pelo caminho solo, Rael sinaliza independência criativa e questiona o “algoritmo” que dita tendências. A faixa “Forma abstrata” deixa isso claro ao samplear o desabafo viral de Silva e apontar as engrenagens comerciais que esvaziam discursos.
Essa atitude vai contra a chamada “featurização” descrita em relatório do IBGE sobre a economia da cultura, que mostra como colaborações passaram de 18% para 41% dos lançamentos nacionais na última década.
“Sem feats, Rael desafia as atuais leis do marketing do mercado fonográfico brasileiro.”
Da leveza pop ao peso das palavras
Produzido por Iuri Rio Branco, Nave Beatz e Soul Diggin, o disco passeia por rap, reggae, afrobeat e MPB. Canções como “Cabulosa” ganham versão reggae no encerramento, enquanto “Manuara” injeta sonoridade amazônica que dialoga com a emergência climática.

Ao mesmo tempo, o discurso aprofunda temas sociais: racismo estrutural, desigualdade e a própria sustentabilidade dos artistas na era do stream. O contraste entre batidas ensolaradas e letras críticas potencializa o impacto, prática já vista em obras de Damian Marley e Criolo, mas agora filtrada pela identidade paulistana de Rael.
O que você acha? A decisão de Rael de nadar contra a corrente pode influenciar outros artistas? Para mais análises do universo pop, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação
