Anitta – De audições secretas em Salvador a entrevistas só com veículos “amigos”, o novo modelo de divulgação dos grandes nomes do pop estreita o acesso da imprensa e amplia o poder dos próprios artistas sobre o que o público lê e escuta sobre seus álbuns.
- Em resumo: divas como Anitta, Luísa Sonza e Beyoncé trocam a crítica tradicional por filtros de fãs e influenciadores, reduzindo o espaço para análises isentas.
A tática de controlar a narrativa
O movimento não é isolado: reportagens da Variety já mostraram que Beyoncé e Taylor Swift limitam entrevistas desde 2016, preferindo se comunicar por redes sociais ou documentários próprios. No Brasil, Anitta apresentou “Equilibrium” apenas a admiradores numa sala de cinema, enquanto Luísa Sonza convidou poucos jornalistas para ouvir “Brutal Paraíso” sob embargo apertado.
Ao sair das sessões, fãs inundam as redes com superlativos, formando uma onda de elogios que chega antes de qualquer resenha profissional. Quando a crítica, com mais tempo de escuta, publica uma visão menos entusiasmada, a percepção geral já está “contaminada” pelo hype positivo.
“Não falo mais com quem me critica, falo com quem me aplaude”, disse Luísa Sonza ao jornal Folha de S.Paulo em 2024.
Por que isso importa para o público?
Segundo o IFPI Global Music Report, o streaming respondeu por 67 % da receita mundial da música em 2025. Como a plataforma remunera por volume de plays, gerar buzz rápido pode significar milhões em poucos dias, o que explica a pressa em conquistar narrativas favoráveis.
Entretanto, especialistas alertam que a ausência de perguntas difíceis empobrece o debate artístico. Sem o contraditório, temas como apropriação cultural, créditos de produção ou eventuais plágios tendem a ficar fora do radar. O resultado é uma recepção menos crítica – algo que já levou Ludmilla a ser cobrada no X por não explicar o conceito de “Fragmentos”.
Paradoxalmente, a própria Anitta provou que transparência também dá engajamento: em “EquilibrIVM”, ela publicou vídeos de até 90 segundos detalhando faixa a faixa. O material, didático e direto, viralizou mesmo sem a intermediação jornalística, mostrando que existe espaço para informação de qualidade quando o artista decide abri-la.
O que você acha? Blindar entrevistas protege ou empobrece a arte? Para mais análises sobre cultura pop, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Reprodução