Sem mandado, ação policial em Caucaia mata cão da família

Sem mandado, ação policial em Caucaia mata cão da família

Caucaia/CE – Uma operação da 1ª Delegacia de Homicídios, executada na tarde de segunda-feira (6), transformou um sítio no bairro Pacheco em palco de tiros e acusações. Sem apresentar mandado, policiais armados teriam revistado todos os cômodos, baleado um pastor-belga na mandíbula e obrigado os moradores a apagar os vídeos que registravam o episódio.

  • Em resumo: família relata invasão, agressões e morte do cachorro; CGD investiga.

Como a intervenção escapou do protocolo

De acordo com os moradores, os agentes pularam o muro, espalharam colchões pelo chão e vasculharam pertences sem testemunha oficial ou filmagem da corporação. Eles alegaram uma denúncia anônima de tráfico, mas não exibiram ordem judicial nem registraram apreensão de drogas na residência. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, operações sem mandado em domicílio só são legais em flagrante delito, condição que ainda precisa ser comprovada.

A família também afirma que R$ 70 desapareceram de um quarto e que uma caixa de maconha teria sido “plantada” no local, versão contestada pela Polícia Civil, que sustenta ter recolhido maconha e cocaína após perseguição a quatro suspeitos que correram em direção à praia.

“Todos fortemente armados coagiram e humilharam a minha família. Quando souberam que meu advogado estava a caminho, mandaram apagar as gravações”, disse o proprietário, que prefere não se identificar.

Violência policial sob escrutínio crescente

Casos de letalidade envolvendo agentes de segurança e animais domésticos não são raros. Levantamento do Atlas da Violência 2023 mostra que o Ceará figura entre os cinco estados com maior índice de ações policiais letais por 100 mil habitantes. Especialistas alertam que, além de configurar maus-tratos — crime previsto na Lei n.º 9.605/1998 —, a morte de um animal de companhia pode agravar o trauma das vítimas humanas.

A Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública (CGD) abriu investigação para apurar se houve excesso e falsificação de provas. Caso confirmados, os envolvidos podem responder por abuso de autoridade e improbidade, com penas que incluem perda do cargo.

O que você acha? Operações sem mandado devem ser restritas a casos de flagrante evidente? Para mais detalhes, acesse nossa editoria de Segurança.


Crédito da imagem: Divulgação / G1