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segunda-feira, abril 6, 2026

Show de Fitti faz Ney Matogrosso renascer em 16 faixas

Show de Fitti faz Ney Matogrosso renascer em 16 faixas

RIO DE JANEIRO (RJ) – Na noite de 5 de abril, o Teatro Carlos Gomes virou palco de uma catarse coletiva: o pernambucano Fitti recriou, em um espetáculo de 16 músicas, a liberdade estética de Ney Matogrosso, que completará 85 anos em agosto, e deixou o público em êxtase.

  • Em resumo: performance uniu potência vocal, teatralidade e leitura política do repertório, transformando clássicos como “Balada do Louco”.

Por que a apresentação hipnotizou a plateia?

Logo na abertura, trovões e chuva emolduraram “Homem de Neanderthal”, dando pistas de que o roteiro assumiria um tom quase ritualístico. A direção musical de Pupillo — baterista conhecido pela Nação Zumbi — injetou pulsação rock em faixas como “Tem gente com fome”. Guitarra de Yuri Queiroga, teclados de Vinicius Furquim e baixo de Vic Vilandez completaram a química.

Segundo dados do IBGE, 56% dos brasileiros voltaram a frequentar concertos ao vivo após a pandemia, e o show de Fitti surfou essa retomada: ingressos esgotados e fila que dobrou o quarteirão do histórico teatro.

“Fitti cantou Ney Matogrosso como o novo, o antigo, aquele cujo tempo é hoje”, registrou a crítica original.

Repertório, identidade trans e diálogo político

Artista, cantor e ator, Fitti evitou o terreno do cover ao vestir (literalmente) o figurino de Ney atrás de um biombo — recurso cênico clássico do ícone sul-mato-grossense — para depois explodir em “Mal necessário”, reafirmando a fluidez de gênero que marcou a obra do homenageado.

O ponto mais alto veio quando o intérprete trans entoou “Homem com H”, forró gravado por Ney em 1981, agora ressignificado sob outra ótica de masculinidade. O público respondeu em coro, selando a relevância do ato em tempos de debate sobre diversidade.

Também chamaram atenção as releituras de “Dívidas de amor”, trazida ao brega pernambucano, e a introspectiva “Viajante”, feita em cadeira ao centro do palco. Tudo amarrado pela curadoria do diretor artístico Marcus Preto, que já pilotou álbuns de Gal Costa e Adriana Calcanhotto.

O que você acha? A ousadia de Fitti ajuda a manter vivo o legado de Ney Matogrosso? Compartilhe sua opinião e, para mais novidades do universo pop, acesse nossa editoria especializada.


Crédito da imagem: Divulgação / Renan Prado

Ana Catarina
Ana Catarina
Sou jornalista independente, dedicada à apuração rigorosa e à produção de conteúdos informativos de qualidade. Busco levar notícias relevantes com linguagem clara, responsabilidade e compromisso com a verdade.
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