21.4 C
Ceará
sábado, março 7, 2026

Show gratuito no Rio reinventa Caymmi com jazz e emoção

Show gratuito no Rio reinventa Caymmi com jazz e emoção

Rio de Janeiro (RJ) – Em 5 de março de 2026, o palco do Espaço Cultural BNDES foi tomado por vozes e acordes que redimensionaram o cancioneiro de Dorival Caymmi. A cantora Fabiana Cozza, 50, e o pianista e arranjador Gilson Peranzzetta, prestes a completar 80, estrearam o espetáculo “Cores de Caymmi” em noite única de ingressos gratuitos, lotação máxima e expectativa elevada.

  • Em resumo: Clássicos de Caymmi ganharam roupagem jazzy sem perder o sabor baiano que os eternizou.

Por que o público saiu arrepiado

Com um trio formado por Alexandre Cavallo (baixo) e Ricardo Costa (bateria), Peranzzetta recortou harmonias e costurou suítes instrumentais que dialogam com a tendência apontada pelo IBGE de aumento no consumo de espetáculos ao vivo. O resultado foi um samba “Saudade da Bahia” que flertou com o bebop e um “Morena do mar” quase camerístico.

Fabiana, por sua vez, alternou doçura e vigor. Na suavidade de “Acalanto”, sentada ao lado do piano, mostrou por que é considerada uma das grandes intérpretes da geração. Já em “Maracangalha”, deixou o público cantar o refrão, reforçando a energia coletiva que Caymmi sempre evocou.

“Os arranjos buscaram outros caminhos harmônicos para o cancioneiro sem mutilar as melodias”, destacou o crítico Mauro Ferreira, presente na plateia.

Camadas de história e futuro

Nascido em 1914, Dorival Caymmi projetou a Bahia no imaginário nacional a partir de 1940. O repertório pinçado por Cozza e Peranzzetta cobre 26 anos dessa produção, de “Samba da minha terra” (1940) a “Morena do mar” (1967), comprovando como a obra atravessa gerações sem perder relevância.

Especialistas lembram que remexer em clássicos exige equilíbrio para não descaracterizar a essência. Ao costurar jazz, samba-canção e modulações modernas, o duo segue a trilha iniciada pela neta Alice Caymmi, que já havia dessacralizado o avô sem profaná-lo. O caminho, ao que tudo indica, aponta para novos desdobramentos em futuras temporadas.

O que você acha? Clássicos devem ser reinventados ou preservados intactos? Para acompanhar outras novidades do mundo da música, acesse nossa editoria de Pop.


Crédito da imagem: Divulgação / Rodrigo Goffredo

Ana Catarina
Ana Catarina
Sou jornalista independente, dedicada à apuração rigorosa e à produção de conteúdos informativos de qualidade. Busco levar notícias relevantes com linguagem clara, responsabilidade e compromisso com a verdade.
Últimas Notícias
Saiba Mais

Destaques de Agora