Suposto petróleo no CE: família espera 7 meses e ANP chega
Tabuleiro do Norte, CE – Sete meses depois de ser avisada, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) notificou a família que perfurava um poço para água e encontrou um líquido escuro possivelmente petrolífero. A visita técnica ainda não tem data, e enquanto isso o sítio continua sem abastecimento regular.
- Em resumo: demora de 7 meses da ANP prolonga a incerteza sobre possível jazida e sobre o risco de contaminação da água.
Por que a demora da ANP preocupa
A substância foi extraída em novembro de 2024, a apenas 11 km da Bacia Potiguar. Testes do IFCE indicam propriedades idênticas às do petróleo potiguar, mas a palavra final depende da agência reguladora. De acordo com normas da ANP, qualquer indício de hidrocarboneto exige inspeção imediata para prevenir vazamentos.
Enquanto aguarda, o agricultor Sidrônio Moreira acumula dívidas: foram R$ 15 mil em empréstimos para escavar dois poços sem conseguir água.
“O que a gente queria era água”, lamenta o filho Saullo, temendo que o óleo contamine o lençol freático se um terceiro poço for aberto sem orientação.
O subsolo é da União: entenda o impacto financeiro
Pelo artigo 176 da Constituição, todos os recursos minerais pertencem à União; portanto, mesmo que o líquido seja confirmado como petróleo, a família não poderá explorá-lo comercialmente. Caso a jazida seja viável, a ANP ainda precisará incluir a área em um futuro leilão de blocos.

Segundo dados do IBGE, Tabuleiro do Norte tem Produto Interno Bruto per capita de apenas R$ 12 mil, bem abaixo da média brasileira. Uma nova frente de exploração, se confirmada, poderia alterar a economia regional, mas isso costuma levar anos entre a descoberta, licitação e início de produção.
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Crédito da imagem: Divulgação / G1
