Suspeita que recebeu Pix de R$500 de entregador morto é solta
Caucaia, Região Metropolitana de Fortaleza – A Justiça cearense colocou em liberdade provisória Raquel Dárphine Monteiro da Silva, 24, antes de a Polícia Civil localizar o corpo do entregador Antônio Josué do Nascimento Oliveira, 24, desaparecido havia nove dias e encontrado morto na última segunda-feira (23/3).
- Em resumo: Raquel recebeu o Pix de R$ 500 exigido pelos sequestradores e saiu da prisão em audiência de custódia três dias depois.
Como o Pix entregou os suspeitos
A investigação aponta que o celular de Josué foi usado por criminosos para exigir R$ 500 via Pix em troca da liberdade do entregador. O CPF vinculado à chave pertencia a Raquel. Detida em 17 de março, ela afirmou ter repassado o valor ao companheiro, João Pedro Cardoso de Paula, 23, ligado ao PCC.
Segundo o Atlas da Violência 2023, o Ceará registrou alta de 14 % nos crimes de extorsão mediante sequestro nos últimos cinco anos, colocando o estado entre os cinco com maior incidência no Nordeste.
“Reconheço que seria um ‘corre errado’, mas não sabia do sequestro”, declarou Raquel no depoimento anexado ao inquérito.
Decisão judicial e repercussão
Na audiência de 19 de março, o juiz concedeu liberdade a Raquel por ela ser mãe de dois meninos, um deles com Transtorno do Espectro Autista. Medidas cautelares, como uso de tornozeleira e comparecimento mensal ao fórum, foram impostas. Já João Pedro ficou preso “para garantia da ordem pública”.
Especialistas em Direito Penal ressaltam que o artigo 318 do Código de Processo Penal permite a substituição da prisão para mães de crianças até 12 anos, mas lembram que a norma deve ser sopesada diante da gravidade do delito. No caso, o crime envolve extorsão qualificada – cuja pena varia de 8 a 15 anos, segundo o artigo 158, §3º, do Código Penal.

Enquanto Raquel aguardava o processo em casa, a 1ª Seccional de Caucaia localizou o corpo de Josué num terreno baldio dominado pelo PCC, a poucos metros do “Condomínio dos Linos”. A Perícia Forense analisará as marcas de violência para indicar a causa da morte.
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Crédito da imagem: Divulgação / G1
