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segunda-feira, março 16, 2026

Tarifa de 25% dos EUA sobre países que negociam com o Irã preocupa Brasil

Tarifa de 25% dos EUA sobre países que negociam com o Irã preocupa Brasil

Tarifa de 25% dos EUA sobre países que negociam com o Irã – O governo brasileiro aguarda a publicação da ordem executiva anunciada por Donald Trump, na última segunda-feira (12 de janeiro), para avaliar o efeito da nova cobrança sobre as empresas nacionais que mantêm relações comerciais com Teerã.

O ex-presidente norte-americano declarou que a tarifa passa a valer imediatamente para qualquer país que faça negócios com a República Islâmica. A medida gera incerteza porque pode atingir transações futuras e contratos já em andamento.

Como a medida pode afetar o comércio brasileiro

Em 2025, as exportações brasileiras para o Irã somaram US$ 2,9 bilhões, impulsionadas por milho, soja e açúcar. Já as importações ficaram em US$ 84,5 milhões, concentradas em ureia, pistache e uvas secas, segundo dados oficiais do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Embora relevante para segmentos agrícolas, o Irã não figura entre os 20 maiores parceiros do Brasil. Ainda assim, associações de produtores temem perda de competitividade caso a sobretaxa venha a encarecer o acesso ao mercado norte-americano para companhias que exportam também aos Estados Unidos.

Entenda o peso das trocas com o Irã

O agronegócio responde por mais de 90% das vendas brasileiras ao país persa. Em 2025, o milho representou 36% do total embarcado, seguido por soja (28%) e açúcar (18%).

Já do lado das importações, a ureia – insumo essencial para fertilizantes – respondeu por dois terços do valor comprado. Qualquer encarecimento no produto pode pressionar os custos de produção agrícola no Brasil.

Especialistas em comércio exterior lembram que, apesar do volume modesto no cenário global, o fluxo bilateral oferece diversificação de mercado para exportadores e preços competitivos de insumos. Por isso, a diplomacia brasileira monitora a redação final do decreto para definir se haverá necessidade de renegociar contratos ou buscar salvaguardas.

Em nota, Itamaraty e Palácio do Planalto informaram apenas que “acompanham a situação”. Internamente, técnicos defendem cautela até a publicação do texto oficial na imprensa norte-americana.

No setor privado, a avaliação é de que eventuais impactos dependerão do alcance geográfico da tarifa: se for aplicada sobre todas as empresas que negociam com o Irã, independentemente do produto, ou apenas sobre novas transações.

No curto prazo, exportadores seguem operando normalmente e aguardam orientação do governo brasileiro. Caso a tarifa permaneça, companhias podem readequar rotas de embarque ou optar por outros fertilizantes, ainda que a custos maiores.

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Crédito da imagem: Divulgação / G1

Marta Silva
Marta Silva
Atuo como jornalista independente, desenvolvendo conteúdos informativos com olhar crítico e apuração responsável. Meu trabalho é guiado pela busca por fatos relevantes, contexto claro e informação confiável para o leitor.
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