INDIO, Califórnia - Em uma noite que fugiu ao roteiro habitual de hits e luzes, o The Strokes transformou o palco principal do Coachella em tribuna política ao projetar críticas diretas aos governos dos Estados Unidos e de Israel durante a faixa “Oblivius”. A ação, no sábado (18), repercute nas redes e reacende o debate sobre ativismo em grandes festivais.
- Em resumo: Telão exibiu dados sobre 30 universidades iranianas atingidas e cenas da última faculdade da Faixa de Gaza, destruída em 2024.
Entenda a dinâmica do protesto em tempo real
No momento derradeiro do show, as telas gigantes alternaram frases sobre o histórico de intervenções da CIA e fotos de bombardeios recentes, enquanto Julian Casablancas cantava: “De que lado você está?”. O clipe subiu à internet minutos depois e, segundo levantamento da plataforma X, superou 4,6 milhões de visualizações em menos de 24 horas, ritmo comparável aos picos de 2023, de acordo com análise da Variety.
Nem a organização do festival nem a Goldenvoice, dona do evento, comentaram o ato até esta publicação, repetindo a postura silenciosa adotada quando Rage Against the Machine ergueu mensagens contra a guerra do Iraque em 2007.
“De que lado você está?” – refrão de “Oblivius”, tocado enquanto imagens de Gaza e Teerã dominavam o telão.
Contexto, impacto e o histórico de vozes dissidentes
Artistas frequentemente usam o Coachella para posicionamentos políticos. Levantamento do Centro de Estudos da Música Popular aponta que, nas últimas cinco edições, 18% dos headliners trouxeram mensagens sociopolíticas explícitas ao palco. A ação dos Strokes, porém, intensificou o tema ao apontar EUA e Israel como atores diretos na destruição de centros acadêmicos — um aceno a dados do Ministério de Ciência e Tecnologia do Irã que relatam 30 universidades impactadas desde 2024.
Especialistas em diplomacia cultural lembram que boicotes e manifestações artísticas cresceram 27% em festivais globais após o início da guerra em Gaza, conforme relatório 2025 do UNESCO Global Report on Culture. O uso de telões, recurso já popularizado em turnês multimilionárias, potencializa a mensagem: estudos de neuromarketing indicam que conteúdos audiovisuais têm 60% mais chance de fixar o tema na memória de quem assiste.
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