Madri, Espanha – Mesmo após alcançar o 30.º lugar no ranking da WTA, a espanhola Cristina Bucsa continua disputando torneios sem um único contrato de patrocínio, cenário que acende um alerta sobre o apoio financeiro ao tênis feminino no país.
- Em resumo: Bucsa é a melhor espanhola do circuito, mas ainda banca a carreira sem aporte de marcas.
Por que o “cheque” não chega?
Aos 26 anos, Bucsa percorre o circuito com a ajuda do pai, repetindo a rotina que mantinha quando ainda lutava para entrar no top 100. Segundo levantamento da WTA, atletas entre as 50 melhores recebem em média seis propostas comerciais por temporada; Bucsa, porém, afirma não ter aceitado nenhuma por considerar as condições desvantajosas.
O quadro contrasta com o investimento histórico que a Espanha faz no tênis masculino, onde nomes como Rafael Nadal e Carlos Alcaraz movimentam cifras milionárias em contratos publicitários.
“O Conselho Superior do Desporto ainda não falou comigo. Houve pessoas que me contactaram, mas não gostei das suas propostas. Continuo à espera de alguém que se atreva a apostar na minha carreira”, declarou Bucsa após cair na segunda rodada do WTA 1000 de Madri para a turca Zeynep Sonmez.
Impacto além das quadras
Sem patrocínio, a espanhola depende integralmente dos prêmios em dinheiro. Para competir no circuito WTA, os custos anuais com viagens, equipe técnica e equipamentos superam, em média, US$ 150 mil, de acordo com dados da ITF. Esse montante compromete até 40% da premiação bruta obtida por uma jogadora rankeada entre as 30 primeiras.
A ausência de marcas ao lado de Bucsa expõe também um gargalo no apoio institucional: apenas 21% dos recursos do programa espanhol “Mujer y Deporte” são destinados a atletas individuais, mostram números do portal oficial do Conselho Superior de Desportos.
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