São Paulo/SP – A paixão de muitos corredores por entrar em quadra ou em campo cresce, mas especialistas alertam: migrar da pista para o gramado sem treino específico pode dobrar o risco de lesões musculares, segundo preparadores físicos ouvidos recentemente.
- Em resumo: Fôlego de sobra não compensa a falta de explosão e mudança de direção exigida nos esportes coletivos.
Por que só o fôlego não basta
Embora a corrida amplie a resistência cardiovascular, esportes como futebol e basquete somam sprints curtos, saltos e contato físico. Uma pesquisa do IBGE mostra que 45% das lesões esportivas no país envolvem articulações do joelho e tornozelo, regiões sobrecarregadas em mudanças rápidas de direção.
Quem corre, normalmente, fortalece mais as fibras de contração lenta. Já a disputa coletiva exige fibras rápidas, recrutadas em movimentos explosivos. A falta de equilíbrio entre esses dois tipos de fibras gera instabilidade muscular e aumenta a probabilidade de distensão e entorse.
“A corrida desenvolve uma base aeróbia sólida, disciplina mental e resistência cardiovascular. Porém, os desportos coletivos pedem muito mais: explosividade, mudanças de direção bruscas, coordenação com colegas.”
Passo a passo para uma transição segura
1. Introduza treino de força duas vezes por semana, focando cadeia posterior (isquiotibiais e glúteos) para suportar arrancadas.
2. Acrescente exercícios de pliometria — saltos em caixa e agachamentos explosivos — que simulam a biomecânica de jogo.
3. Inclua sessões de “interval training” com tiros de 20 a 40 metros para adaptar o coração a picos anaeróbicos.
4. Finalize com trabalhos de propriocepção em prancha de equilíbrio; isso reduz em até 30% o risco de torções, segundo a Federação Internacional de Medicina do Esporte.
Além disso, reserve ao menos 48 horas entre um jogo e outro nas primeiras quatro semanas. O corpo precisa de tempo para remodelar tendões e ligamentos submetidos a novas cargas laterais.
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