Trend ‘Caso ela diga não’ choca França e expõe 1.586 feminicídios

PARIS – Matérias de TV, rádio e jornal impressos franceses repercutem, nesta semana, a trend brasileira “Caso ela diga não”, em que homens simulam ataques violentos a bonecos femininos no TikTok. A cobertura, que chegou à TRANSMISSÃO: Record, pressiona plataformas e autoridades a reagirem diante do conteúdo que normaliza a misoginia.

  • Em resumo: Vídeos que treinam golpes contra mulheres viralizam e a França cobra punições.
  • Alerta: Brasil anotou 1.586 feminicídios em 2025, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Como a trend extrapolou fronteiras

O Le Parisien descreveu criadores brasileiros “esfaqueando manequins” para treinar respostas a um suposto “não” feminino. O conteúdo, hospedado no TikTok, soma milhares de visualizações e se espalha por outras redes. Segundo reportagens da France 24 e da rádio France Inter, o tom “descomplexado” das publicações surpreende mesmo em um contexto global de discursos de ódio.

Especialistas ouvidos pela imprensa europeia apontam que o algoritmo da plataforma prioriza vídeos de alta interação, o que pode explicar a velocidade da disseminação. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que, no Brasil, 28,9% das mulheres já sofreram alguma forma de violência física ou sexual do parceiro, um terreno fértil para que conteúdos agressivos encontrem audiência.

“No Brasil, vídeos que promovem violência contra mulheres se tornaram virais no TikTok”, destacou o Le Parisien.

Do mundo digital ao risco real

A repercussão relembra o caso de Alana Anisio Rosa, 20 anos, esfaqueada em São Gonçalo (RJ) após recusar um pretendente. A mãe da jovem, Jaderluce Anisio de Oliveira, relatou que o agressor consumia vídeos com a mensagem “treinando caso ela diga não”. O episódio alimenta o debate sobre o Projeto de Lei da Misoginia, ainda sem previsão de votação na Câmara.

Para a promotora de Justiça Gabriela Manssur, conteúdos como a trend funcionam como “manual de execução” e podem configurar premeditação. A reportagem exibida na TRANSMISSÃO: Record reforçou que o TikTok removeu parte dos vídeos, porém sem bloquear perfis reincidentes.

Na França, influenciadores reagiram com a hashtag #RespectHerChoice, sugerindo que “a melhor resposta a um não é respeito”. No Brasil, organizações propõem que plataformas adotem moderação proativa, prática já prevista pelo Digital Services Act europeu.

O que você acha? Redes devem ser responsabilizadas por conteúdos que incentivam a violência? Para mais análises sobre segurança, acesse nossa editoria especializada.


Crédito da imagem: Reprodução/TikTok

Marta Silva

Atuo como jornalista independente, desenvolvendo conteúdos informativos com olhar crítico e apuração responsável. Meu trabalho é guiado pela busca por fatos relevantes, contexto claro e informação confiável para o leitor.