Trump chama Powell de 'idiota' e crise no Fed vira caso criminal

Trump chama Powell de ‘idiota’ e crise no Fed vira caso criminal

WASHINGTON, DC – O confronto público entre o ex-presidente Donald Trump e o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, atingiu novo patamar na última quinzena: além dos xingamentos em série, o Departamento de Justiça abriu investigação criminal contra o chefe do banco central, testando os limites da independência monetária dos EUA.

  • Em resumo: Trump acusa Powell de “prejudicar a segurança nacional” ao manter juros altos, enquanto o DOJ apura suposta má gestão em reformas do Fed.

Como a pressão política escalonou

Desde março de 2025, Trump exige cortes agressivos na taxa básica, que segue entre 3,50% e 3,75%. Em redes sociais, chamou Powell de “burro”, “teimoso” e, mais recentemente, “idiota”, culpando-o por “centenas de bilhões de dólares” em juros. Apesar da artilharia verbal, Powell reiterou ao Congresso que decisões são guiadas por dados econômicos, alinhadas ao mandato dual de estabilidade de preços e pleno emprego previsto na Lei de 1977.

A experiência compilada pelo Banco Central do Brasil indica que banqueiros centrais preservam credibilidade quando blindados de interferência política – ponto que o Fed tenta reforçar diante do turbilhão.

“A ameaça de processos criminais é consequência de definirmos as taxas com base no interesse público, não nas preferências do presidente”, rebateu Powell em vídeo divulgado em 11 de janeiro de 2026.

Investigação do DOJ adiciona risco institucional

A ofensiva jurídica, que mira supostas mentiras de Powell ao Congresso sobre obras prediais, surpreendeu economistas: a última vez que um dirigente do Fed enfrentou inquérito similar foi em 1982, durante o mandato de Paul Volcker. Para analistas da Universidade de Princeton, um afastamento precoce poderia desancorar expectativas de inflação, elevar o custo da dívida e mexer com mercados globais.

Kevin Warsh, ex-governador do Fed e favorito de Trump para o cargo, já defendeu juros mais baixos em 2020, o que sinaliza possível guinada expansionista caso assuma em maio, quando encerra o mandato de Powell.

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Crédito da imagem: Divulgação / Reuters