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domingo, março 15, 2026

Trump cobra ‘trilhões’ da OTAN e insiste na compra da Groenlândia

Trump cobra ‘trilhões’ da OTAN e insiste na compra da Groenlândia

Davos, Suíça – Durante participação no Fórum Econômico Mundial, na última terça-feira (21), o ex-presidente norte-americano Donald Trump voltou a defender que os Estados Unidos “merecem retorno” pelos “trilhões de dólares” gastos na proteção militar da OTAN e da Europa, argumento que ele utiliza para pressionar uma eventual negociação pela Groenlândia, território autônomo sob administração da Dinamarca. Trump reiterou que não usará força militar, mas quer “sentar à mesa” para discutir a transferência da ilha.

  • Em resumo: Trump associa investimentos militares dos EUA à exigência de conversas para anexar a Groenlândia.

Estratégia ou provocação política?

Ao discursar em Davos, o republicano afirmou que “ninguém pode defender aquele território como nós”, ligando a posição estratégica da ilha no Ártico à segurança do Ocidente. Segundo dados oficiais da OTAN, Washington responde por cerca de 70% dos gastos militares da aliança, volume que Trump classifica como desbalanceado.

Em 2019, o então presidente já havia oferecido à Dinamarca uma compra formal, resgatando proposta semelhante feita por Harry Truman em 1946, quando os EUA ofereceram US$ 100 milhões (em valores da época).

“Colocamos trilhões para proteger a Europa; agora queremos reconhecimento e negociação justa”, declarou Trump.

Por que a Groenlândia é tão cobiçada?

Com pouco mais de 56 mil habitantes, a Groenlândia guarda vastas reservas minerais – incluindo terras-raras – e localização privilegiada entre o Atlântico Norte e o Ártico. O degelo acelerado abre rotas marítimas que reduzem em até 40% o tempo de navegação entre EUA, Europa e Ásia, aumentando o valor geopolítico da ilha.

A Constituição dinamarquesa garante autonomia interna aos groenlandeses, mas a política externa e a defesa continuam sob Copenhague. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, rebateu em Davos, classificando eventuais tarifas norte-americanas como “erro” e reforçando que “a soberania da ilha não está à venda”.

Especialistas lembram que qualquer cessão territorial exigiria aprovação do parlamento dinamarquês e, possivelmente, um referendo local – cenário considerado improvável diante das críticas internas e dos acordos internacionais que restringem mudanças unilaterais de fronteira.

O que você acha? A Dinamarca deve abrir diálogo ou recusar a proposta de Washington? Para acompanhar outras tensões diplomáticas, acesse nossa editoria Mundo.


Crédito da imagem: Divulgação

Marta Silva
Marta Silva
Atuo como jornalista independente, desenvolvendo conteúdos informativos com olhar crítico e apuração responsável. Meu trabalho é guiado pela busca por fatos relevantes, contexto claro e informação confiável para o leitor.
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