Trump cogita afrouxar sanções à Rússia para derrubar barril a US$ 88
WASHINGTON – Sob pressão da disparada nos combustíveis e a poucos meses das eleições legislativas, o presidente Donald Trump estuda aliviar sanções sobre o petróleo russo e liberar reservas estratégicas dos EUA para forçar a queda dos preços globais, segundo fontes ouvidas pela Reuters nesta segunda-feira (9).
- Em resumo: Medida pode ser anunciada hoje e já fez o barril recuar para US$ 88.
Por que o alívio nas sanções pode mexer no seu bolso
A redução de restrições ao petróleo russo colocaria mais oferta no mercado em meio à guerra no Oriente Médio. Apenas a expectativa desse gesto derrubou o Brent e o WTI, que haviam rompido a marca de US$ 119, para a casa dos US$ 88. De acordo com dados do Banco Central, cada alta de US$ 10 no barril costuma acrescentar 0,2 ponto percentual à inflação americana em 12 meses, pressionando juros e emprego.
O cálculo político é claro: pesquisa Reuters/Ipsos mostra que 67% dos norte-americanos temem gasolina ainda mais cara em 2027. Manter o galão acessível virou prioridade para os republicanos que tentam segurar a maioria no Congresso.
“Acho que a guerra está praticamente concluída. Eles não têm Marinha, não têm comunicações, não têm Força Aérea”, declarou Trump à CBS News, sinalizando que o conflito com o Irã pode terminar em breve.
Três frentes de ação e o fator Putin
Além de afrouxar sanções, Trump admitiu encaminhar 200 milhões de barris de petróleo venezuelano a refinarias do Texas e cogita assumir o controle do Estreito de Ormuz, rota de 20% do fluxo mundial. Analistas destacam que, historicamente, operações militares na região encarecem o frete marítimo e podem anular parte do ganho de oferta.
No mesmo dia, o republicano conversou por telefone com Vladimir Putin por cerca de uma hora. O Kremlin classificou o diálogo como “franco” e afirmou que propostas para encerrar os conflitos no Irã e na Ucrânia foram colocadas na mesa. Se Washington efetivamente aliviar as punições a Moscou, o petróleo russo voltaria a competir diretamente com o shale oil americano, cenário que desagradaria parte da indústria doméstica.

Para especialistas da indústria, a Casa Branca dispõe de poucas “cartas de impacto rápido”. A Reserva Estratégica de Petróleo, por exemplo, tem hoje 347 milhões de barris, volume capaz de cobrir apenas 17 dias de consumo interno nos EUA.
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Crédito da imagem: Divulgação / AP
