Trump libera 140 mi de barris iranianos e baixa preço do petróleo
Washington, D.C. – O governo dos Estados Unidos suspendeu, de forma pontual, parte das sanções que travavam a venda de petróleo iraniano já carregado em navios, movimento que coloca 140 milhões de barris extras no mercado internacional e tenta conter a escalada de preços, anunciada nesta sexta-feira (20) pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent, em entrevista transmitida pela Record.
- Em resumo: autorização vale só para o óleo que está no mar, não permite novas compras e mira diretamente o bolso do consumidor.
Por que agora? Entenda a jogada
Com a liberação, a Casa Branca busca diluir o efeito dos recentes ataques atribuídos a Teerã sobre a infraestrutura energética global. Na prática, o volume a ser despejado corresponde a pouco mais de um dia da demanda mundial – estimada em cerca de 100 milhões de barris/dia –, alívio suficiente para segurar especulações de curto prazo, segundo levantamento do Banco Central (BCB) sobre sensibilidade de preço.
O Tesouro afirma que o Irã continuará sem acesso fácil à receita gerada, mantendo a “pressão máxima” sobre o regime. A permissão expira assim que o estoque flutuante for absorvido, frisou Bessent.
“Usaremos os barris iranianos contra Teerã para manter os preços sob controle enquanto damos continuidade à Operação Epic Fury”, declarou o secretário.
Efeito nas bombas e na geopolítica
Nos EUA, cada US$ 0,10 a menos no galão de gasolina pode injetar até US$ 12 bilhões por ano na economia doméstica, de acordo com cálculos do Departamento de Energia. Para o Brasil, onde a cotação internacional influencia o valor na refinaria, a entrada repentina de oferta tende a reduzir a defasagem atual, hoje na casa de 8% segundo dados da Abicom.

Especialistas lembram que a última flexibilização semelhante ocorreu em 2015, durante o acordo nuclear que acabou abandonado por Trump em 2018. Ao reaplicar as sanções, Washington empurrou a produção iraniana de 3,8 para 2,4 milhões de barris/dia, abrindo espaço para produtores rivais. A liberação de agora não altera essa dinâmica de longo prazo, mas sinaliza que os EUA usam suas próprias restrições como ferramenta de calibragem de preço.
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