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quarta-feira, março 25, 2026

Trump reprova apresentação de Bad Bunny no Super Bowl e chama espetáculo de “afronta à grandeza dos EUA”

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou duramente o show do cantor porto-riquenho Bad Bunny no intervalo do Super Bowl, realizado na noite de domingo, 8 de fevereiro de 2026. Em publicação na rede social Truth Social, o republicano não mencionou o artista diretamente, mas classificou a apresentação como “bagunça” e “uma afronta à grandeza da América”.

“Absolutamente terrível, um dos piores de todos os tempos! Não faz sentido nenhum, é uma afronta à grandeza da América e não representa nossos padrões de sucesso, criatividade ou excelência”, escreveu Trump. Em seguida, acrescentou: “Ninguém entende uma palavra do que esse cara está dizendo, e a dança é repugnante. Esse ‘show’ é um tapa na cara do nosso país, que está estabelecendo novos padrões e recordes todos os dias”.

Show com grande audiência

A performance de Bad Bunny ocorreu no Levi’s Stadium, na Califórnia, palco da final da National Football League (NFL) entre New England Patriots e Seattle Seahawks. O evento, um dos mais assistidos da televisão norte-americana, costuma atrair mais de 100 milhões de telespectadores somente nos Estados Unidos.

Antes mesmo de subir ao palco, a escolha do artista provocou repercussão incomum para o intervalo do Super Bowl. Aliados de Trump anunciaram uma “programação paralela” em protesto, e analistas já classificavam a apresentação como a mais politizada da história da final da NFL, independentemente de manifestações explícitas durante o show.

Artista com histórico de ativismo

Conhecido por incorporar posições políticas à obra, Bad Bunny interrompeu uma turnê em 2019 para participar de protestos que levaram à renúncia do então governador de Porto Rico, Ricardo Rosselló. Na ocasião, uniu-se a outros músicos porto-riquenhos, como Residente, iLe e Ricky Martin, tornando-se uma das vozes mais ativas da diáspora latina nos Estados Unidos.

Mesmo em busca de popularidade no mercado norte-americano, o cantor manteve letras em espanhol e sonoridades marcadas pelo reggaeton e pelo trap latino, além de referências que vão da clássica “Garota de Ipanema” a canções tradicionais porto-riquenhas. Essa postura reforça sua identidade latina em momento de forte debate sobre imigração no país.

Clima político tenso

O Super Bowl ocorre em meio a protestos contra o Immigration and Customs Enforcement (ICE) após mortes atribuídas à agência no Minnesota. Ao anunciar a participação de Bad Bunny, a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, chegou a afirmar que o ICE estaria “em todo lugar” durante o evento. Dias depois, a chefe de segurança da NFL, Cathy Lanier, declarou que agentes de imigração não teriam envolvimento na final, mas o clima de tensão permaneceu.

Antecedentes de controvérsias

Embora o show do intervalo seja normalmente planejado para evitar polêmicas, episódios anteriores mostram que controvérsia não é novidade: em 2012, a cantora M.I.A. exibiu o dedo do meio ao vivo; em 2016, Beyoncé fez referência aos Panteras Negras durante “Formation”, enquanto o Coldplay era a atração principal; e em 2025, um dançarino de Kendrick Lamar foi preso depois de mostrar bandeiras da Palestina e do Sudão.

A reação de Trump, portanto, insere-se em uma tradição de discordâncias políticas em torno do evento, desta vez amplificada pelo envolvimento de um artista latino que costuma abordar temas sociais em sua obra.

Com informações de G1

Ana Catarina
Ana Catarina
Sou jornalista independente, dedicada à apuração rigorosa e à produção de conteúdos informativos de qualidade. Busco levar notícias relevantes com linguagem clara, responsabilidade e compromisso com a verdade.
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