UE acelera acordo com Mercosul e ativa comércio já em maio
BRUXELAS – A Comissão Europeia confirmou que aplicará de forma provisória, a partir de 1º de maio, o acordo comercial firmado com o Mercosul, mesmo enquanto sua legalidade é questionada no Tribunal de Justiça da União Europeia. A medida destrava imediatamente parte das concessões tarifárias, alterando o fluxo de exportações de ambos os blocos.
- Em resumo: Tratado entra em vigor antes da ratificação completa e pode movimentar €100 bilhões/ano em intercâmbio.
Por que a pressa agora?
Segundo analistas, o avanço ocorre para blindar cadeias de suprimentos europeias em meio à guerra na Ucrânia e à disputa comercial com a China. O acordo, negociado por duas décadas e politicamente fechado em 2019, corta tarifas de até 91% dos produtos industriais.
Dados da balança comercial mostram que o Brasil, principal parceiro do bloco, exportou €42 bilhões para a UE em 2023, grande parte em commodities agrícolas, de acordo com o IBGE. Com a vigência parcial, itens como etanol e carne bovina ganharão cotas adicionais com alíquota reduzida.
“Em janeiro, o Parlamento Europeu solicitou uma revisão judicial da legalidade do acordo”, aponta o documento oficial encaminhado a Luxemburgo.
O que muda na prática para empresas e consumidores
Para o lado sul-americano, as principais vantagens imediatas serão a queda de tarifas sobre máquinas, fertilizantes e medicamentos, insumos que respondem por até 25% dos custos do agronegócio brasileiro. Já fabricantes europeus terão acesso facilitado a uma região de 270 milhões de consumidores.

Ambientalistas, porém, temem que a entrada em vigor sem cláusulas adicionais de sustentabilidade incentive o desmatamento na Amazônia. A Comissão promete publicar relatórios anuais de monitoramento e pode acionar salvaguardas caso metas climáticas sejam descumpridas.
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