Washington, D.C. – A poucas horas de encarar o Comitê Bancário do Senado, o financista Kevin Warsh, indicado por Donald Trump para substituir Jerome Powell, avisou que defenderá a independência do Federal Reserve, mas “não em todas as frentes”, abrindo uma disputa sobre a verdadeira autonomia do banco central dos EUA.
- Em resumo: Warsh apoia decisões de juros livres de política, mas quer apertar o controle sobre gastos, supervisão e temas como clima.
Por que a fala preocupa Wall Street e Capitol Hill
Nos discursos enviados aos senadores, Warsh, 56 anos, diz estar “comprometido em manter a política monetária estritamente independente”, mas ressalta que essa blindagem “não se estende” à gestão de recursos públicos ou à regulação bancária. O alerta acende luz amarela num órgão que administra uma carteira de quase US$ 8,7 trilhões em ativos, segundo dados do Federal Reserve.
Desde a década de 1950, após o Acordo Fed-Tesouro, a independência operacional da autoridade monetária é vista como pilar da credibilidade do dólar. Especialistas do Banco Central do Brasil apontam que qualquer interferência fora da curva pode elevar prêmios de risco globais.
“A inflação baixa é a armadura do Fed, sua proteção vital”, escreveu Warsh, criticando a escalada de preços nos últimos anos.
Contexto histórico e possíveis impactos
Entre 2021 e 2022, a inflação ao consumidor nos EUA bateu 9,1%, o maior pico em 40 anos, segundo o Bureau of Labor Statistics. Warsh afirma que o fracasso em manter a meta de 2% alimenta ceticismo sobre a independência do banco central – argumento que deve ecoar entre senadores preocupados com o custo de vida.
O ex-diretor do Fed (2006-2011) também reforçou críticas antigas à inclusão de temas climáticos e sociais nas pesquisas do banco. Para ele, “sair da faixa” desvia foco da estabilidade de preços. A promessa de reformar uma instituição “grande e resistente ao novo” pode alterar desde o ritmo de redução do balanço até a forma de supervisionar megabancos.
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