Kiev, Ucrânia – Volodymyr Zelensky classificou neste domingo (19) como “dinheiro para a guerra” a prorrogação feita pelos Estados Unidos que permite a venda de petróleo russo embarcado até 16 de maio, medida que pode injetar US$ 10 bilhões no caixa de Moscou em plena ofensiva contra a Ucrânia.
- Em resumo: Alívio nas sanções reabre mercado para o petróleo russo e, segundo Zelensky, converte-se em novos mísseis, drones e bombas sobre cidades ucranianas.
Entenda a decisão americana e a conta de US$ 10 bi
O Departamento do Tesouro dos EUA justificou a renovação como estratégia para conter a escalada dos preços de energia provocada pela guerra no Oriente Médio. Na prática, navios que já estavam em alto-mar ganham sinal verde para concluir vendas sem punição, contorno que pode render até US$ 10 bilhões ao Kremlin, de acordo com cálculos divulgados pelo presidente ucraniano.
Além disso, o texto exclui operações que envolvam Irã, Cuba e Coreia do Norte, mas mantém a Rússia – responsável por cerca de 10% da produção global. Dados do Banco Central mostram que a commodity acumula valorização superior a 15% desde fevereiro, pressionando economias importadoras.
“Apenas nesta semana, a Rússia lançou mais de 2.360 ataques de drones, 1.320 bombas aéreas guiadas e quase 60 mísseis”, escreveu Zelensky na rede social X.
Por que isso importa para o mercado e para a Ucrânia
Especialistas lembram que o petróleo sustenta boa parte do orçamento de guerra russo. Em 2025, o próprio Ministério das Finanças de Moscou estimou que 40% da receita federal virá do setor energético. Cada barril vendido acima do teto de preço definido pelo G7 representa verba adicional para armamentos que já devastaram regiões como Chernihiv, onde, na última semana, um bombardeio matou um adolescente de 16 anos e feriu outras quatro pessoas.
No cenário global, o Estreito de Ormuz – fechado pelo Irã desde fevereiro – cortou 20% do fluxo diário de petróleo marítimo. Sem alternativa imediata, importadores recorrem a cargas russas, enquanto países europeus veem sua própria política de sanções enfraquecer, criando um efeito dominó nos preços de combustíveis, transporte e alimentos.
O que você acha? A flexibilização das sanções ajuda a estabilizar preços ou prolonga o conflito? Para mais análises geopolíticas, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Piroschka van de Wouw/Reuters