Londres - A Fórmula 1 voltou a discutir, de forma cada vez mais urgente, se os salários astronômicos de seus pilotos devem entrar no teto de gastos que já comprime todas as demais despesas das equipes desde 2021.
- Em resumo: Hamilton ganha US$ 70 mi/ano, enquanto novatos recebem até 140 vezes menos, e isso pode influenciar o equilíbrio do grid.
Por que o pagamento virou o novo “pneu macio” da estratégia
O limite orçamentário atual da categoria é de US$ 135 milhões por temporada, mas os contracheques de pilotos e dos três principais executivos ficaram fora dessa conta. A brecha, defendem chefes como Otmar Szafnauer, prejudica a isonomia competitiva, pois equipes ricas podem “comprar” tempo de volta contratando estrelas como Lewis Hamilton ou Max Verstappen.
Já o ex-chefe de engenharia Rob Smedley argumenta que a F1 segue o padrão dos esportes de elite. Na NBA, por exemplo, os maiores salários superam US$ 50 milhões anuais, e a liga prospera com isso.
“Um bom piloto pode valer dois décimos por volta, assim como uma atualização aerodinâmica. As equipes deveriam ter de escolher”, alerta Szafnauer.
Números que alimentam a disparidade
Segundo levantamento interno das equipes, Hamilton lidera a folha com US$ 70 milhões anuais, Verstappen aparece logo atrás com US$ 65 milhões e nomes em início de carreira, como Arvid Lindblad, oscilam entre US$ 500 mil e US$ 1 milhão. A diferença de 14.000% entre o topo e a base tende a aumentar caso o regulamento técnico de 2026 deixe os carros mais próximos em desempenho, valorizando ainda mais cada centésimo de segundo tirado por talento humano.
Para o torcedor, o debate vai além da pista: se parte desses salários entrasse no cost cap, haveria mais verba para desenvolvimento sustentável ou ingressos populares, aponta estudo da Deloitte sobre esportes a motor. Na NFL, por exemplo, onde o teto salarial é de US$ 224,8 milhões, cada franquia precisa equilibrar folha e investimento técnico dentro do mesmo pacote.
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