Vazamento de nome para BC irrita Haddad e pressiona Lula
Brasília – O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou que indicou o economista Guilherme Mello para a diretoria do Banco Central, mas criticou duramente o vazamento da informação e ressaltou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não tomou a decisão final.
- Em resumo: Nome vazou três meses após indicação, gerando ruído no mercado e desconforto político.
Por que o mercado se incomodou
Mello, atual secretário de Política Econômica, é visto como desenvolvimentista e favorável a cortes mais rápidos na taxa de juros. Analistas temem que essa linha possa dificultar o controle da inflação, hoje monitorada de perto pelo Banco Central.
Para acalmar o setor financeiro, Haddad revelou ter sugerido também o professor da Universidade de Cambridge Tiago Cavalcanti para outra diretoria, reforçando a ideia de equilíbrio técnico nas futuras nomeações.
“O vazamento, se a pessoa quis ajudar, não ajudou”, disparou Haddad em entrevista à Band News.
Mudanças na diretoria: o que está em jogo
As duas cadeiras abertas pertenciam a diretores indicados por Jair Bolsonaro. Com a autonomia garantida por lei em 2021, os mandatos são de quatro anos e não podem ser interrompidos, o que torna cada nomeação crucial para a orientação da política monetária.

A diretoria já terá maioria indicada pelo atual governo a partir de 2025, cenário que pode alterar o ritmo de queda da Selic e, por consequência, o custo do crédito e o nível de emprego. Segundo série histórica do BC, cada ponto percentual na taxa básica tende a afetar o PIB entre 0,3 e 0,5 ponto ao longo de 12 meses, o que explica a tensão nos bastidores.
O que você acha? A indicação de perfis mais desenvolvimentistas pode acelerar a queda dos juros ou arriscar nova pressão inflacionária? Para mais análises sobre economia e finanças, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação
