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Vestido de R$3,8 mil expõe reduto de Rolex e Ferrari em Caracas
Caracas – O vestido verde de €550 (cerca de R$ 3,8 mil) usado por Delcy Rodríguez ao assumir interinamente a Presidência da Venezuela voltou os holofotes para um contraste gritante: enquanto o salário mínimo local não chega a R$ 2,50, a capital ostenta lojas da Rolex, uma concessionária da Ferrari e dezenas de restaurantes estrelados.
- Em resumo: mercado de luxo resiste em meio à crise econômica que já dura mais de uma década.
Luxo sobre ruínas econômicas
No bairro de Las Mercedes, vitrines de relógios que superam US$ 10 mil dividem calçada com carros de mais de R$ 1,3 milhão. Segundo levantamento da consultoria Datanálisis, cerca de 2 milhões de venezuelanos – 6% da população – sustentam esse consumo, mesmo com a inflação anual passando de 200% em 2025, de acordo com dados do Banco Central venezuelano.
Especialistas apontam que a flexibilização do uso do dólar em 2020, medida do governo Nicolás Maduro, criou um sistema econômico paralelo. Quem recebe em moeda forte – empresários, políticos sancionados e parte da alta classe média – encontrou refúgio em produtos que preservam valor, prática comum em países de alta instabilidade, conforme mostra estudo comparativo do IBGE sobre concentração de renda.
“A classe alta continua grande e prefere gastar antes que seus recursos sejam congelados”, afirmou o economista Luis Vicente León à BBC.
Desigualdade histórica amplificada
O abismo social venezuelano não nasceu na crise recente. Desde o boom do petróleo nos anos 1920, o país alterna períodos de riqueza concentrada e ondas de recessão. Na década de 1970, Caracas era chamada de “Venezuela Saudita”, abrigando boutiques da Dior enquanto bairros periféricos careciam de saneamento básico. Hoje, o Índice de Gini – que mede desigualdade – gira em torno de 0,56, um dos maiores da América Latina, segundo a Cepal.

A reabertura da concessionária Ferrari em 2021 ilustra essa “ilha” de prosperidade: o modelo mais barato parte de US$ 255 mil. Para um venezuelano que vive com o salário mínimo, seria necessário trabalhar ininterruptamente por mais de 8.600 anos para comprar o veículo.
O que você acha? O mercado de luxo pode conviver com a crise extrema de um país? Para mais análises internacionais, acesse nossa editoria especializada.
Crédito da imagem: Divulgação / REUTERS
