Avanço do mar muda rotina de barracas na Praia da Lagoinha
Avanço do mar muda rotina de barracas na Praia da Lagoinha – A ressaca registrada no início deste ano em Paraipaba, litoral oeste do Ceará, foi a mais intensa em duas décadas, segundo comerciantes locais.
O fenômeno encurtou a faixa de areia, derrubou coqueiros centenários e obrigou donos de barracas a restringir o atendimento aos períodos de maré baixa, provocando demissões e prejuízos que chegam a R$ 15 mil por estabelecimento.
Ressaca histórica afeta turismo e empregos
Desde meados de dezembro, ondas de até dois metros passaram a alcançar mesas e cadeiras instaladas na praia, cenário raro até então. Proprietários relatam que, em dias normais, cerca de 40 funcionários prestavam serviço em cada barraca; agora, parte da equipe foi dispensada para reduzir custos.
Com 11 quilômetros de orla, Paraipaba aparece em levantamento da Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima (Sema) com quatro trechos em erosão considerada crítica. O diagnóstico confirma a tendência de desgaste que, de acordo com estudo da Universidade Federal do Ceará, pode reduzir em pelo menos 10 metros metade da costa cearense até 2040. Para entender a dimensão do problema, consulte o relatório oficial da Secretaria do Meio Ambiente do Ceará.
Medidas emergenciais e soluções em debate
Enquanto estudos técnicos para obras definitivas avançam, a prefeitura instalou sacos de areia e pedras na linha da maré, isolou áreas de risco e orienta banhistas sobre horários mais seguros para banho.
Barreiras de contenção improvisadas, erguidas por comerciantes, mostraram-se pouco eficazes: algumas muretas ruíram em poucas semanas. A comissão municipal criada para enfrentar a ressaca avalia alternativas como espigões, recuperação de dunas e revisão do zoneamento costeiro.
A erosão é agravada por intervenções em rios vizinhos – que reduzem a reposição natural de sedimentos – e pela elevação global do nível do mar. Especialistas alertam que a preservação da vegetação nativa sobre o morro adjacente é crucial para evitar deslizamentos, uma ameaça adicional à comunidade litorânea.

Para manter o fluxo de clientes, empresários orientam turistas a almoçar mais cedo e recolhem guarda-sóis antes do pico da maré, que varia diariamente. Mesmo barracas localizadas em áreas recuadas registram perda de movimento, pois a maior parte do consumo ocorre na faixa de areia agora vulnerável.
No curto prazo, o município estima que a instabilidade da orla se prolongará até o fim de fevereiro, quando se encerra o período das marés de sizígia (Lua Nova e Lua Cheia), tradicionalmente mais fortes no Nordeste.
Apesar das dificuldades, comerciantes e gestão municipal concordam que soluções de engenharia precisam vir acompanhadas de políticas de conservação ambiental para garantir a sobrevivência da principal atração turística de Paraipaba.
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