41 anos de prisão: cozinheiro mata esposa por ‘atraso’
Lavras da Mangabeira, CE – Um júri popular condenou a 41 anos, 10 meses e 15 dias de reclusão o cozinheiro Expedito Rosendo da Silva, que esfaqueou e matou a companheira, Patrícia Domingos da Silva, 48, por se irritar com a demora dela em voltar para casa. O veredicto saiu na última segunda-feira (12) e inclui ainda a tentativa de homicídio de um adolescente de 17 anos, ferido ao tentar intervir.
- Em resumo: Justiça reconhece feminicídio com motivo torpe e meio cruel; réu seguirá preso preventivamente.
Como o ataque aconteceu em poucos minutos
De acordo com a acusação, Patrícia havia saído com amigos e, ao retornar, foi surpreendida pelo agressor no Bairro Cruzeiro. Expedito, 50, utilizou a própria faca de trabalho para desferir vários golpes na vítima e ainda feriu o adolescente que estava na residência. Em seguida, voltou a arma contra si numa tentativa frustrada de suicídio.
O Ministério Público enquadrou o crime como feminicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel e recurso que impossibilitou defesa, além de tentativa de homicídio com agravantes. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que, somente em 2025, o Brasil registrou 1.437 feminicídios – uma média de quase quatro casos por dia.
“O cozinheiro sentenciado segue preso preventivamente, tendo lhe sido negado o direito de responder em liberdade”, informou o Ministério Público.
Impacto regional e panorama do feminicídio
Em 2024, o Ceará registrou 62 feminicídios, segundo o Anuário de Segurança Pública, e Lavras da Mangabeira aparece como um dos 15 municípios com aumento nos índices de violência contra a mulher. A legislação brasileira classifica o feminicídio como homicídio qualificado, elevando a pena de 12 para até 30 anos; no caso de Expedito, as qualificadoras e o crime conexo de tentativa de homicídio ampliaram a punição para mais de quatro décadas.

A condenação reforça o papel dos tribunais do júri em casos de violência doméstica. Especialistas lembram que a Lei 13.642/18 obriga a apuração prioritária dos feminicídios e garante à família da vítima assistência integral. O descumprimento de medidas protetivas pode resultar em prisão preventiva imediata, recurso aplicado pelo juiz do caso logo após o crime.
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Crédito da imagem: Divulgação / G1