Fotos de presos feridos expõem suposta tortura em cadeia do CE
ITAITINGA (CE) – Imagens divulgadas em 16/01 revelam detentos da Unidade Prisional de Estudo, Capacitação e Trabalho (UPECT) com hematomas por todo o corpo, após um suposto episódio de tortura ocorrido em 3 de janeiro, gerando pânico entre familiares e acionando órgãos de controle.
- Em resumo: 11 internos apresentaram lesões leves, segundo a SAP, que nega abusos.
Do desespero dos visitantes à versão oficial
Familiares relatam que, durante a saída de visitas, ouviram sons semelhantes a tiros e gritos de socorro dentro do presídio. O pânico obrigou a evacuação apressada, sem qualquer explicação imediata. Dias depois, fotos dos presos com marcas nas nádegas, costas e braços ganharam as redes sociais.
Em nota, a Secretaria da Administração Penitenciária e Ressocialização afirmou que os internos — classificados como membros de facção de origem carioca — teriam iniciado um motim e agredido policiais penais. A pasta alega que foi aplicado “uso progressivo da força” e que os 11 feridos passaram por atendimento médico e exame de corpo de delito.
“Na tentativa de amotinamento, os criminosos arremessaram objetos, proferiram ameaças e iniciaram um ataque coordenado contra o Estado”, diz a SAP.
Investigação e o histórico de denúncias de tortura
A Corregedoria dos Presídios da Comarca de Fortaleza instaurou procedimento para apurar os fatos, enquanto a Defensoria Pública acompanha o caso por meio de sua Comissão Permanente de Combate à Tortura. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Ceará registrou mais de 230 denúncias de violência institucional em unidades prisionais nos últimos três anos, número que coloca o estado entre os cinco com maior incidência do país.

Especialistas em direitos humanos lembram que o Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura já alertou para a “cultura de retaliação” nos presídios brasileiros. Na UPECT, esta é a segunda denúncia grave em menos de 12 meses, fato que pode pesar na avaliação do Conselho Nacional de Justiça sobre as condições carcerárias locais.
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Crédito da imagem: Divulgação / Arquivo pessoal