PF bloqueia R$24 mi de deputado em nova fase da Overclean

PF bloqueia R$24 mi de deputado em nova fase da Overclean

Salvador (BA) – Em decisão assinada pelo ministro Nunes Marques, do STF, a Polícia Federal avançou, na segunda-feira (12), sobre o patrimônio do deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT-BA), bloqueando R$ 24 milhões e executando nove mandados de busca na Bahia e em Brasília. A medida aprofunda a Operação Overclean, que já tinha três parlamentares no alvo por suposto desvio de emendas.

  • Em resumo: PF suspeita que parte dos R$ 25 milhões destinados a Boquira, Ibipitanga e Paratinga financiou um esquema de propina via PIX.

Rastreamento de PIX e obras fantasmas

O foco da PF recaiu sobre mensagens encontradas no celular do assessor Marcelo Gomes. Nas conversas com o empresário Evandro Baldino, aparecem combinações de repasses a prefeitos e confirmações de “entradas” nas contas. Segundo a Receita Federal, transações instantâneas acima de R$ 10 mil ganham alerta automático de fiscalização, o que reforça a trilha de auditoria (dados oficiais).

Para o Ministério Público, a verba era carimbada para pavimentação e pequenas reformas que, na prática, nunca saíram do papel. A Controladoria-Geral da União já encontrou, em auditorias semelhantes, indícios de sobrepreço de 27% em obras financiadas com emendas individuais entre 2019 e 2022.

“Milhões de reais em emendas teriam sido destinados a três municípios baianos: Boquira (R$ 4 milhões), Ibipitanga (quase R$ 13 milhões) e Paratinga (pouco mais de R$ 8 milhões). Parte desses recursos estaria associada a obras que não foram executadas.”

Por que a investigação pode se ampliar

Analistas lembram que cada parlamentar dispõe de R$ 37,6 milhões anuais em emendas individuais. Se confirmado o desvio, o caso de Mendonça Júnior serviria de precedente para rastrear outros R$ 11,1 bilhões liberados pelo Congresso em 2023 – montante equivalente ao orçamento inteiro de 15 capitais brasileiras.

Além das buscas, o STF autorizou quebra de sigilo bancário e fiscal dos envolvidos. A PF, a CGU e a Receita analisam documentos apreendidos e não descartam “novos alvos e novas fases”, conforme nota oficial. O cerco inclui empresas de fachada abertas em nome de familiares, método recorrente identificado no Atlas da Violência Fiscal da CGU.

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Crédito da imagem: Divulgação

Vinicius Balbino

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