Pai Nivaldo é preso; 7 fiéis denunciam rituais de abuso
Fortaleza/CE – Um mandado de prisão preventiva mantém, desde dezembro, o líder religioso Francisco Rinivaldo Barbosa Gomes, 49, conhecido como Pai Nivaldo de Oxóssi, atrás das grades. Ao menos sete mulheres dizem ter sido vítimas de estupro, violência psicológica e fraude espiritual dentro do terreiro que ele comandava.
- Em resumo: vítimas relatam rituais criados para isolá-las, cobranças em dinheiro e abusos físicos e emocionais.
Como o líder conquistava confiança, segundo as vítimas
Relatos colhidos pela Polícia apontam que o sacerdote restringia a presença masculina nos encontros, criava “banhos de descarrego” exclusivos e usava a hierarquia religiosa para justificar toques íntimos. A estratégia segue o mesmo padrão descrito em estudos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública sobre crimes de cunho sexual: manipulação da fé e isolamento do alvo.
Algumas fiéis contam que doações e pagamentos altos eram exigidos sob promessa de prosperidade material. Quando questionavam a falta de resultados, ouviam que “os guias” pediam mais sacrifícios.
“Ele não tinha escrúpulos”, resumiu uma das denunciantes ao registrar ocorrência.
Por que o caso acende alerta maior
Dados do Anuário da Segurança Pública indicam que o Ceará registrou, em 2023, uma denúncia de violência sexual a cada três horas. Especialistas alertam que crimes cometidos dentro de organizações religiosas tendem a ser subnotificados, pois a vítima teme retaliações espirituais ou sociais.

Para a advogada do grupo, o processo – que corre em segredo de Justiça – reúne provas de estupro, violação mediante fraude e assédio financeiro. A defesa de Pai Nivaldo nega todas as acusações e aguarda acesso integral aos autos.
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