Sertão Central: 14 cidades em emergência; seca ameaça 2026
Fortaleza/CE – O governo federal iniciou 2026 reconhecendo situação de emergência por seca ou estiagem em 34 municípios cearenses, dos quais 14 ficam no Sertão Central, epicentro de uma estiagem prolongada que já pressiona reservatórios, lavouras e abastecimento humano.
- Em resumo: 14 municípios do Sertão Central entram em emergência para acessar recursos federais e evitar colapso hídrico.
Quem está na lista e por quê
Entre os decretos por estiagem aparecem Pedra Branca, Itatira, Boa Viagem, Deputado Irapuan Pinheiro, Paramoti, Milhã, Ibaretama e Mombaça. Já Quixadá, Choró, Piquet Carneiro, Ibicuitinga, Madalena e Quixeramobim enfrentam seca, estágio mais severo de falta de água. Apenas Canindé, Caridade, Banabuiú e Senador Pompeu escaparam do novo status emergencial.
Com o reconhecimento, as prefeituras podem protocolar planos no Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD) para captar verbas destinadas a abastecimento por carros-pipa, cestas básicas e kits de higiene, conforme orienta o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional. Dados do IBGE mostram que 55% das ocorrências de desastres naturais no Brasil, entre 1991 e 2020, foram causadas justamente por estiagem ou seca.
“O reconhecimento federal possibilita que as prefeituras solicitem recursos para compra de água potável, alimentos e itens de primeira necessidade”, detalha a portaria publicada em janeiro.
Efeito cascata na economia rural
Historicamente, o Sertão Central concentra pequenos produtores de sequeiro que dependem das chuvas de fevereiro a abril. Sem precipitação regular em 2025, a região já perdeu, segundo a Ematerce, até 40% da safra de grãos. A tendência, alertam técnicos, é de elevação no preço do milho e da ração animal em todo o estado.

Além disso, a Agência Nacional de Águas (ANA) aponta que o volume médio dos açudes cearenses caiu abaixo de 35% da capacidade, limite que exige racionamento seletivo. A adoção de sistemas de irrigação mais eficientes e o reaproveitamento de água cinza são estratégias recomendadas por pesquisadores da UFC para mitigar futuros impactos.
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Crédito da imagem: Divulgação