Soldado que atendeu pacientes como médico é expulso da PM
Fortaleza/CE – A Controladoria Geral de Disciplina (CGD) confirmou a demissão do soldado Khlisto Sanderson Ibiapino de Albuquerque, detido em 2022 por exercer ilegalmente a medicina em unidades públicas do Ceará e do Rio Grande do Norte. A medida, publicada no Diário Oficial na última segunda-feira (19), considera “incompatíveis” com a farda as fraudes identificadas.
- Em resumo: Militar se passava por médico usando CRM de outro profissional e agora perde o posto.
Fraude em série e provas contundentes
O Processo Administrativo Disciplinar reuniu depoimentos, prontuários falsificados e vídeos da prisão em flagrante. Testemunhas relataram que o soldado atendeu pacientes em pelo menos quatro municípios, emitindo receituários e atestados de forma irregular. De acordo com a Polícia Civil do Ceará, esse tipo de crime costuma ser enquadrado no artigo 282 do Código Penal, com pena de seis meses a dois anos de detenção, além de multa.
A CGD concluiu que a conduta violou os deveres de honestidade e moralidade previstos no Estatuto da PM. O ex-militar ainda pode recorrer, mas, se mantida a decisão, o desligamento será imediato.
“As condutas são incompatíveis com os valores e deveres da função policial militar”, aponta o relatório final.
Reincidência e riscos aos pacientes
Khlisto já havia sido preso duas vezes — a primeira em Paraipaba (CE) e a segunda durante a Operação Curandeiros, no RN, que desarticulou um esquema de falsificação de documentos médicos. Segundo o Ministério Público potiguar, o grupo adulterava prontuários e até prescrevia medicamentos controlados.

O Conselho Federal de Medicina alerta que o exercício ilegal coloca vidas em risco: em cinco anos, mais de 240 denúncias de falsos médicos foram encaminhadas ao órgão em todo o país. Especialistas reforçam que hospitais devem checar o registro profissional junto aos conselhos regionais antes de efetuar qualquer contratação.
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Crédito da imagem: Divulgação / G1