Senado cria subcomissão para vigiar ratificação do mega acordo Mercosul-UE
BRASÍLIA – A Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado instalou uma subcomissão que acompanhará, passo a passo, a ratificação do Acordo Mercosul-União Europeia, assinado no último sábado (17) no Paraguai. O colegiado quer garantir que o texto, que derruba ou reduz 90% das tarifas de importação e exportação entre os blocos, seja debatido com celeridade e transparência antes de chegar ao Plenário.
- Em resumo: Grupo do Senado vai fiscalizar cada etapa da aprovação de um pacto comercial estimado em €100 bilhões ao ano.
Por que a pressa agora
O presidente da CRE, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), argumenta que o Brasil precisa “falar a mesma língua” que parceiros europeus e sul-americanos. Ele receberá na próxima quinta-feira (22) a embaixadora da União Europeia no Brasil, Marian Schuegraf, para articular a tramitação paralela ao fluxo recorde de exportações medido pelo IBGE.
Na prática, a Câmara Alta quer evitar o vácuo político que poderia travar o acordo, já que o Parlamento Europeu também precisa dar aval, assim como Argentina, Uruguai e Paraguai. Ao todo, 35 parlamentos nacionais terão de chancelar o texto.
“Não vamos ficar esperando; o Brasil tem de liderar o processo que pode aumentar nosso PIB em até 1%”, declarou Nelsinho Trad.
O que muda para o bolso do brasileiro
Com a redução tarifária, produtos agropecuários brasileiros ganham competitividade imediata no mercado europeu, enquanto veículos e máquinas importadas podem ficar até 12% mais baratas em solo nacional. Estudo da Confederação Nacional da Indústria projeta acréscimo de US$ 113 bilhões às exportações do Mercosul na próxima década.

Especialistas lembram que o acordo prevê cláusulas ambientais rígidas – exigência da UE após impasses sobre desmatamento. “Sem cumprir metas de carbono, não há tarifa zero”, resume a professora de comércio internacional Ana Rego, da USP.
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Crédito da imagem: Divulgação / Agência Senado
