‘Rasga-lata’ provoca incêndio em sucata na véspera de Natal
FORTALEZA (CE) – Um laudo conclusivo da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) revelou que o incêndio que consumiu a sucata Chico Alves, na Jacarecanga, em 24 de dezembro de 2025, começou após o contato de um artefato do tipo “rasga-lata” com materiais altamente inflamáveis. O documento já está com a Polícia Civil, que tenta rastrear quem lançou o engenho e entender a motivação por trás do ato.
- Em resumo: Pefoce confirma uso de “rasga-lata” como fonte térmica externa que desencadeou as chamas na noite de Natal.
Como o artefato iniciou as chamas
O “rasga-lata” é um dispositivo artesanal capaz de atingir temperaturas superiores a 1.000 °C em segundos. De acordo com o laudo, a combinação do calor gerado pelo artefato e a grande quantidade de óleo e sucata metálica no terreno potencializou a propagação do fogo. Um levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) mostra que incidentes envolvendo artefatos incendiários cresceram nos centros urbanos na última década, pressionando unidades do Corpo de Bombeiros em todo o país.
Em Fortaleza, a corporação atendeu a uma média de quatro ocorrências de incêndio em depósitos de resíduos por mês em 2024, segundo dados abertos do CBMCE. Muitos desses episódios ocorrem em áreas densamente povoadas, o que eleva o risco de vítimas e prejuízos a imóveis vizinhos.
“Verifica-se a plausibilidade técnica de que o incêndio tenha sido iniciado por fonte térmica externa”, cita o laudo da Pefoce.
Consequências criminais e impacto social
Embora o fogo não tenha deixado feridos, o prejuízo ao proprietário passou da casa dos milhares de reais, incluindo a perda de peças históricas comercializadas como sucata de coleção. A Polícia Civil mantém diligências e oitivas para confirmar a dinâmica dos fatos; se o autor for identificado, poderá responder por incêndio doloso qualificado, crime previsto no artigo 250 do Código Penal com pena de até seis anos de reclusão.

Especialistas alertam que depósitos de resíduos metálicos costumam atrair atos de vandalismo, sobretudo em datas festivas quando há menor vigilância. Programas como o Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos de Fortaleza preveem a instalação de sistemas de monitoramento e barreiras corta-fogo, mas a implementação esbarra em custos e fiscalização.
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Crédito da imagem: Divulgação